Bate-papo com o autor Cláudio Duffrayer

Olá, pessoal!

Hoje nós viemos falar mais um pouco sobre um escritor parceiro do Blog Da Literatura, o Cláudio Duffrayer, autor de Noturna e outros poemas. Quem quiser conhecer mais sobre essa obra, acesse aqui a resenha do livro.

No mês de fevereiro, fizemos uma entrevista com o autor. Conversamos sobre seu processo literário, sobre suas ideias em relação à literatura e sua obra de estreia.

Vamos ver como foi a nossa conversa?

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BDL – Vou iniciar com uma pergunta que gosto muito de fazer: Cláudio Duffrayer, para você, o que é literatura e, mais precisamente, o que é poesia?

A literatura é um estado de espírito – algo com o qual nascemos, sejamos leitores ou escritores. Como toda a arte, na verdade. Com a  poesia não é diferente. Poesia é angústia. Mas uma angústia redentora.

BDL – Como e quando foi o seu encontro com a literatura? Em que momento surgiram seus primeiros escritos?

Eu sempre fui estimulado a ler. Sempre.Meus pais me contavam histórias quando eu era criança,nutrindo em mim,desde bem cedo,o hábito da leitura.Lembro-me de que um dos primeiros autores que li (se não o primeiro) foi Monteiro Lobato.

Logo depois,entrando na adolescência,comecei a escrever contos de horror-meu gênero preferido à época. Considero aqueles meus primeiros escritos só no sentido cronológico do termo.

Só muito depois é que comecei realmente a escrever .Antes era uma espécie de brincadeira e nada mais.

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BDL – A sua obra de estreia, Noturna e outros poemas, revela-nos um imaginário poético bastante relacionado à noite e ao místico. Conte-nos um pouco sobre essa inspiração, suas ideias e o que lhe motivou.

Foi exatamente cercado por uma noite sufocante que eu me vi quando comecei a escrever. Escrever no sentido verdadeiro do termo. A escrita não mais era uma forma de distração ou entretenimento, mas uma forma de sobreviver às inúmeras dificuldades pelas quais eu passava. Foi um período de isolamento e um tanto quanto melancólico (eu era ainda um pouco jovem e o senti com muita força). Eu descobrira não só a noite, mas o quão sufocante e realmente escura ela podia ser.

Descrevê-la, portanto, não era o suficiente, nem era minha intenção, mas desnudá-la, desafiá-la, mergulhar em seu seio e diminuir, assim, seu poder sobre mim. Foi quando eu descobri a escrita como uma forma de me conhecer melhor e vencer meus demônios. Paradoxalmente, eu só me dei conta dessa escuridão por ser poeta, e também por ser poeta consegui superá-la, mas só recentemente vim a perceber isso.

De qualquer forma, as leituras que eu fizera  até então foram inevitavelmente vertidas para meus escritos, até porque são autores que até hoje admiro (Poe e Lovecraft, para ficar em poucos exemplos). “O Vampiro e outros contos do macabro”, lançado pela editora Penguin (eu lera no original em inglês) me marcou como leitor (especialmente o conto de Polidori). Também fui marcado “Frankenstein ou o Prometheus Moderno” de Mary Shelley.

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Mary Shelley

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Foi imerso nessa literatura que eu permaneci por muito tempo,até conhecer realmente nossas gerações de 45 e 22 (especialmente João Cabral, Domingos Carvalho da Silva e Dante Milano, cujos poemas conheci na “Antologia da Moderna Poesia Brasileira” organizada por Fernando Ferreira de Loanda e publicada pela editora Orfeu – poeta mais esquecido hoje do que Roberto Piva).

Lembro-me também de assistir “Morte e vida Severina”(a versão de 77, com Stênio Garcia, José Dumont e Luis Mendonça interpretando Severino) logo que comecei a ler João Cabral (tive muita sorte por ter as obras desses autores na biblioteca dos meus pais) e ter a impressão de entrar em um outro mundo.

Assim, conforme eu adentrava a vida adulta, a literatura (como o ambiente que me cercava) passou aos poucos a adquirir uma outra forma-o que mudou, por sua vez, minha relação com a escrita.

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BDL – Algumas resenhas sobre Noturna e outros poemas comentam sobre a possível influência de poetas simbolistas e de escritores da literatura fantástica do século XIX. Você concorda que eles exerceram influência na sua formação literária? Quais?

Imagino que a influência do simbolismo visto em minha poesia tenha uma razão talvez bem simples:meu contato com o pós-punk inglês. Se por um lado eu descobria Thiago de Mello e João Cabral e Roberto Piva, por outro, eu não deixava de ouvir Siouxsie and the Banshees, Bauhaus, The Cure e Joy Division. Além, é claro, do synthpop de Depeche Mode, New Order e Pet Shop Boys.

De uma maneira informal, portanto, aprendi a escrever também com Siouxsie Sioux, Martin Gore, Neil Tennant, Peter Murphy e Robert Smith – o formalismo da Geração de 45 não me contemplava, nem o verso livre da Geração de 22. Eu tinha com a música a mesma relação que passara a ter com a literatura. A música me ajudou a olhar para dentro…

Ainda assim, é importante lembrar o seguinte:

“O senhor me pergunta se os seus versos são bons. Pergunta isso a mim. Já perguntou a mesma coisa a outras pessoas antes. Envia os seus versos para revistas. Faz comparações entre eles e outros poemas e se inquieta quando um ou outro redator recusa suas tentativas de publicação. Agora (como me deu licença de aconselhá-lo) lhe peço para desistir de tudo isso. O senhor olha para fora, e é isso sobretudo que não devia fazer agora. Ninguém pode aconselhá-lo e ajudá-lo, ninguém. Há apenas um meio. Volte-se para si mesmo. Investigue o motivo que o impele a escrever; comprove se ele estende as raízes até o ponto mais profundo do seu coração, confesse a si mesmo se o senhor morreria caso fosse proibido de escrever. Sobretudo isto: pergunte a si mesmo na hora mais silenciosa de sua madrugada: preciso escrever? Desenterre de si mesmo uma resposta profunda.”
(Rilke, Rainer Maria, in “Cartas a um jovem poeta”; L&PM Editora, Porto Alegre, 2006. Tradução de Pedro Süssekind, grifos meus)

 

Faço minhas, aqui, as palavras de Rilke. A poesia não é um objeto mecânico a ser desconstruído através de engenharia reversa  para que sua essência seja alcançada. Não se disseca a mosca azul.

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Rainer Maria Rilke

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Quero dizer que, no começo, é importante o autor deixar os “ismos” de lado e escrever à sua própria maneira,descobrir e ouvir sua própria voz.Não se pode violar-se para encaixar em algum lugar pré-estabelecido,e quando ouvimos nossa voz e com ela cantamos,aí sim homenageamos aqueles que nos ensinaram e motivaram. Não é a toa que poemas meus são dedicados a Lovecraft e Poe.Também não é a toa que dedico meu livro a Sylvia Plath,Roberto Piva e Thiago de Mello.

Acredito que havia uma janela,no sentido cronológico do termo,em que eu poderia,quem sabe,deixar a escrita de lado.Mas esse tempo,felizmente, já vai longe.E foi exatamente olhando para dentro que eu escrevia.E eu escrevia porque precisava.Disse antes que através da escrita sobrevivia,mas,pensando melhor, não é verdade.Através da escrita,através da poesia, eu vivia.    

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BDL –  Como você se descreve antes e depois de se lançar como poeta? O que mudou? Conte-nos um pouco sobre isso.

Planejar, escrever e lançar o livro significou fazer as pazes não só com a literatura mas,em especial, com a poesia. Fiz as pazes comigo mesmo. Aceitei-me como poeta para o bem e para o mal, e não culpo mais a poesia por tudo de ruim que pode ter me acontecido.Estendi a mão e toquei a redoma-ela se partiu e o vazio se calou.Transpus um abismo(levei tempo para entender que a poesia e o abismo eram coisas distintas-mesmo que não necessariamente antagônicas).

Claro que o vazio retornará ,mas eu estarei pronto com a caneta em punho e a folha em branco à minha frente.

Não tenho mais medo.

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BDL – Como é a sua rotina para escrever? Você tem um horário determinado, possui uma disciplina rígida, espera ter uma inspiração ou escreve quando surge uma oportunidade?

Escrevo quando sinto um estímulo (não gosto muito da palavra inspiração).Esse estímulo pode ser causado por uma imagem ou uma música.Trabalho a partir daí.

Aprendi que de nada adianta seguir uma rotina pré-estabelecida se não há o sopro, o ímpeto. É preciso reconhecer o momento propício para escrever e não perdê-lo.

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BDL – Qual é a sua visão sobre a Poesia Brasileira atual?

Os poetas que admiro dessa geração são Alberto Pucheu (que me apresentou à prosa poética com seu brilhante “Ecometria do Silêncio”) e Eucanaã Ferraz. Além deles, ouço nomes como Bruna Beber e Alice Sant’Anna (que são mais novas). Faço uma humilde autocrítica: não conheço suas obras.

BDL – Na sua opinião, qual o papel do poeta nos dias de hoje? Você acredita que o poeta deve trabalhar com a arte apenas para fruição ou deve haver um compromisso social?

O poeta pode ser engajado, sem que sua poesia o seja. O compromisso social do artista é uma escolha, não uma obrigação. A arte não precisa ser engajada.

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BDL – Para essa pergunta, pedirei ajuda a Fernando Pessoa:

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

 

No poema Autopsicografia, o eu- poético diz que o poeta finge a dor, ou seja, o mundo ficcional não é, necessariamente, a vida do autor.  Já, Gaston Bachelard, filósofo e poeta francês, acredita que o poeta revela o ser das coisas e também se revela, ao deixar uma visão da vida perpetrada em seus escritos. Pensando nisso, como você enxerga a sua obra: acha que ela representa a visão de mundo de Cláudio Duffrayer ou é a visão de mundo de um eu-poético criado por você? Como você acredita que isso repercute no leitor?

Para responder a essa pergunta,recorro não só aos poetas que me marcaram, mas à visão de alguns críticos sobre suas obras.É importante,antes de tudo,lembrar que o eu poético e seu mundo/imaginário evidentemente variam de poeta para poeta.E esse mundo só se completa quando entra em contato com o leitor- a poesia é,antes de tudo,um diálogo.Precisamos ter isso em mente.

 Pois bem:

“Uma das maiores preocupações de [Federico Garcia] Lorca, que confessa em suas cartas sentir-se ‘por demais passional’,’acossado’, ou ‘bombardeado’ de paixões,(…) é lutar contra a tristeza e a melancolia ,para que elas não se ‘infiltrem’ em sua obra.”*E este não foi um problema ilusório. Se fracassam alguns poemas de ‘Poeta em Nova York’ (O menino Stanton; Poema duplo do lago Eden, por exemplo) não é exatamente porque sua palavra está tingida de uma angústia  nada universal,sofrimento personalíssimo,sentimento humano padecente?” (Mauer,Christopher, in Federico Garcia Lorca Conferências I, Alianza Editorial ,Madrid,1984)

*Veja-se por exemplo  sua carta de 1921 a Melchor Fernandez Almagro: “Não tens ideia do quanto sofro quando me vejo retratado  nos poemas…”Federico Garcia Lorca, Epistolario I Alianza Editorial,Madrid,1983,p.44)

Considero  curioso o fato de os poemas indicados por Mauer estarem entre os meus preferidos de Lorca. Talvez Mauer não tenha tido a simplicidade  não para entender ,mas para  sentir  os poemas apontados por ele.O próprio Lorca aponta essa simplicidade como importantíssima quando começa a leitura de seu “Poeta en Nueva York” em dezembro de 32, no Hotel Ritz de Barcelona:

“Não vou dizer-lhes o que  é Nova York ‘por fora’ pois juntamente com Moscou são duas cidades antagônicas sobre as quais se verte um rio de livros descritivos,nem vou narrar uma viajem,mas sim minha reação lírica  com toda a sinceridade e simplicidade.Sinceridade e simplicidades dificílimas aos intelectuais mas fáceis ao poeta; para vir aqui já venci meu pudor poético.”(Lorca,Federico Garcia, in Poeta em Nueva York, Editora Lumen;Barcelona,1976;grifos meus).

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Federico García Lorca

Federico García Lorca

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Talvez tenha faltado justamente simplicidade a Mauer ao ler os poemas que ele aponta como “fracassos”. Mas o que me parece realmente óbvio é que faltou a ele algo mais: empatia.

É com empatia que o diálogo poético acontece. O poeta traz à tona no leitor  algo que o mesmo muitas vezes ignorava,fazendo com que ele se descubra- mesmo que isso signifique sentir uma dor até então ignorada.

Se Lorca preocupava-se em não permitir que o pior de si fosse percebido em sua poesia,Sylvia Plath não parecia se importar com isso. De fato,é exatamente angústia (muitas vezes quase em seu estado bruto) que vemos em seus melhores poemas (“Lady Lazarus” , “As Pedras” e “Papai” são somente alguns exemplos).

Olhando com mais atenção para sua vida(tomando muito cuidado para não cair em uma morbidez voyeristica e ficando longe de pinças e agulhas e lupas, não estudando a mosca azul mas sentindo-a), lendo algumas de suas biografias (Bitter Fame,de Anne Stvenson,por exemplo)ou as cartas que a autora escreveu para sua mãe (Letters Home), todos dados tornados públicos com o tempo, fica bastante óbvio que foi justamente ao entrar em contato com sua angústia que Plath escreveu seus melhores poemas. Foi quando ela começou a escrever por necessidade, por uma questão de sobrevivência (ou vivência?) que ela tornou-se uma verdadeira poetisa.

Ted Hughes, seu marido odiado por tantos, pode (pode), quem sabe, ajudar-nos a tornar esse processo menos enigmático. Diz  ele:

“Ela [Plath] nunca improvisava. Os poderes que a compeliam a escrever  tão vagarosamente  foram sempre maiores do que ela.  Mas de súbito  ela se encontrou livre para deixar-se cair, ao invés de  engatinhar  sobre  pontes de conceitos.” (Hughes,Ted, in The Art of Sylvia Plath: a Symposium, editado por Charles Newman; Indiana University Press, 1970).

  

 Não, não importa, aqui, a forma como a vida de Plath terminou. Não a vejo como vítima da poesia, de Hughes ou mesmo do machismo da época. Na verdade,vejo que cada uma de suas inúmeras vitórias foram em grande parte por causa da poesia. Ao escrever pela vida, ao optar pela vida(naqueles momentos,pelo menos)Plath renasceu de uma forma que poucos poderiam. Para entender isso,basta lembrar os tão celebrados versos de seu poema “Lady Lazarus”: “Das cinzas eu me levanto/com meu cabelo vermelho/e devoro homens como ar” (grifos meus). Lady Lazarus é um dos seus últimos poemas.E enquanto surgiam seus últimos poemas…Anne Stevenson pode falar algo sobre isso:

“Quando seus últimos poemas finalmente emergiram,eles estavam sublimados por um furioso ressentimento e afiados como aço.Com sua força,deveriam ter quebrado a redoma para sempre,como ela[Plath]provavelmente esperava.O fato de que eles não o fizerem é uma das circunstancias mais perturbadoras da história de Sylvia Plath.”Stevenson,Anne,in “Bitter fame-a life of Sylvia Plath,p48;Houghton Mifflin Company,Boston;tradução minha)

 

É exatamente essa a questão. A redoma FOI quebrada. Por tempo suficiente para que Plath pudesse respirar. Por tempo suficiente para que ela pudesse tornar-se quem de fato era, não quem esperavam que ela fosse. E isso por causa da poesia.

A poesia, a força que a gera, não mata. Pode por vezes parecer destrutiva,mas nunca assassina.Ao contrário, permite ao poeta recriar-se e renascer. É o que o permite carregar o fardo.Sim, a leveza do ser. É o que o permite senti-la em primeiro lugar. Pode parecer óbvio, mas a força poética é, antes de tudo, criadora. E é exatamente esse vínculo que aproxima poetas tão ímpares e importantes  como Lorca e Plath. Mesmo que suas respectivas relações com a força poética sejam distintas,virtualmente antagônicas – pois é um vínculo que muitos supostos poetas não tem.

E é assim com seus leitores. Seus verdadeiros leitores, pelo menos. Aqueles cujos sentimentos mais íntimos são desnudados por seus poemas. É o que faz o poeta digno do termo. Desnuda. Revela. Fingindo ou não.

O que se vê nos meus poemas é, portanto, o que de fato eu trago comigo. E aquilo de que tento me livrar.

 

BDL – Fale um pouco sobre os seus próximos projetos.

Como continuo escrevendo, devo ter um novo livro pronto ainda esse ano. Deve ser publicado em outubro ou novembro.

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Agora, umas perguntas rápidas:

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Um livro: “Lavoura Arcaica”, de Raduan Nassar

Um poema: “Meteoro”, de Roberto Piva

Um escritor: Clarice Lispector

Um personagem literário: David Selig, protagonista do romance “Uma Pequena Morte”, de Robert Silverberg.

Um gênero literário: Hoje não tenho um gênero preferido.

Um filme: Blade Runner – o Caçador de Androides, de Ridley Scott (a versão original, de 82)

Uma música: “The Rapture”, de Siouxise and the Banshees

Um hobby: não tenho (a literatura toma todo o meu tempo).

Um dia especial: o dia do lançamento do meu livro.

Um desejo: Que a poesia seja mais lida no Brasil. Não só a nacional, mas também a internacional. Não só a clássica, mas a também a contemporânea.

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Conversamos bastante, né, gente? Adorei entrevistar e conhecer um pouco mais sobre o universo poético de Cláudio Duffrayer. Agradeço a oportunidade ao escritor e desejo muito sucesso com os próximos projetos!

E, para quem não sabe, tem PROMOÇÃO rolando lá na fanpage! Estamos sorteando um exemplar de Noturna e outros poemas. Corre lá!

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BOA SORTE!!!

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