Universo Paralelo #21: Resenha Jogador nº 1

jogadorn1

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Livro: Jogador nº 1 (Ready Player One)

Autor: Ernest Cline

Lançamento: 2012

Editora: Arqueiro

Páginas: 464

Skoob: 4.5

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Sinopse

Cinco estranhos e uma coisa em comum: a caça ao tesouro. Achar as pistas nesta guerra definirá o destino da humanidade. Em um futuro não muito distante, as pessoas abriram mão da vida real para viver em uma plataforma chamada Oasis. Neste mundo distópico, pistas são deixadas pelo criador do programa e quem achá-las herdará toda a sua fortuna. Como a maior parte da humanidade, o jovem Wade Watts escapa de sua miséria em Oasis. Mas ter achado a primeira pista para o tesouro deixou sua vida bastante complicada. De repente, parece que o mundo inteiro acompanha seus passos, e outros competidores se juntam à caçada. Só ele sabe onde encontrar as outras pistas: filmes, séries e músicas de uma época que o mundo era um bom lugar para viver. Para Wade, o que resta é vencer – pois esta é a única chance de sobrevivência.

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Esta leitura foi realizada para participar do 2º encontro do Clube do Livro Online.
Clique aqui para saber mais.

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O ano: 2045. O mundo se encontra em um caos completo: guerras em vários países, crise energética devido à escassez dos combustíveis fósseis, problemas ambientais de todos os tipos. Em meio a tanta destruição, as pessoas utilizam o videogame de realidade virtual OASIS para fugir dessa realidade nada consoladora. O OASIS é visto como a evolução máxima dos videogames: o nível de realidade é aburdo, e as pessoas controlam seus avatares com visores e luvas, e quanto mais dinheiro a pessoa tem, mais equipamentos avançados ela consegue obter, cápsulas com cadeiras e macacões que simulam as situações do videogame de modo que o jogador possa sentir tudo que o avatar sente. Dentro do OASIS, as pessoas podem ir à escola, à igreja, trabalhar, como simulações da vida real, mas também podem habitar mundos fantásticos e controlar avatares com aparência de seres míticos. O OASIS foi criado por James Halliday, um gênio multibilionário aficcionado pelos anos 80 (década em que ele viveu sua adolescência), e que passou os últimos anos de sua vida recluso até morrer devido a um câncer. (Me parece uma grande incoerência que em 2045 uma realidade virtual difundida mundialmente a altamente realista exista e um tratamento altamente eficiente ou uma cura não tenha sido inventada para o câncer). No entanto, após a morte de James Halliday, um vídeo feito por ele foi liberado em que ele promete a um jogador do OASIS toda a sua fortuna e o controle da empresa dona do OASIS para aquele que encontrar seu easter-egg dentro do jogo. Um easter-egg é um termo para alguma referência ou informação oculta em filmes, videogames, músicas, etc. Para ser o vencedor, a pessoa deve encontrar três chaves (bronze, jade e cristal) que abrem três portões, e a recompensa está no fim do último portão, mas para conseguir superar essas etapas, o jogador deve ser um profundo conhecedor de videogames, da cultura pop dos anos 80 e da vida do próprio Halliday. Com essa informação, milhões de pessoas passaram a estudar avidamente a cultura que envolvia a caçada pelo easter-egg, clãs foram formados e pessoas dedicavam todo o seu tempo a conseguir a recompensa, sendo esses chamados de Caça-Ovos (Egg Hunters). Entre eles está Wade Watts, um jovem pobre e orfão que vive em um acampamento de trailers, e que se torna o primeiro a conseguir a primeira chave com seu avatar, Parzival, cinco anos após a morte de Halliday.

 

As linhas de distinção entre a identidade real de uma pessoa e a de seu avatar começaram a se misturar. Era o despertar de uma nova era, na qual a maioria da raça humana passava todo o tempo livre dentro de um videogame. (p. 69)

 

Como se esperaria de um livro tão geek, Jogador nº1 é repleto de repleto de referências a games, livros, filmes, músicas, séries e muita cultura pop dos anos 80, além de elementos da cultura atual. Para aqueles que viveram nos anos 80, o livro é uma viagem nostálgica pela cultura da época, e acredito que para essas a leitura seja mais interessante. Ainda assim, as referências são tantas e incluídas a todo momento na história que o excesso acaba sendo cansativo em certos momentos. O livro também é dividido em três níveis, como um jogo, e nos dois últimos, o autor desenvolve mais a história e a leitura fica mais fluida e quase impossível de largar.

Quanto aos personagens, na maior parte do livro a interação é meramente virtual, ainda que o personagem principal, Wade, encare a situação quase como uma interação real, principalmente pelo fato de a narração ser em primeira pessoa. Wade Owen Watts (WoW, seria uma referência a World of Warcraft?) é um aficionado com toda a cultura dos anos 80 e da vida de James Halliday e usa a caçada e o OASIS como forma de fugir da realidade. Orfão, vivendo com a tia que o odeia e com habilidades sociais quase nulas por passar muito tempo online, ele dedica todo o seu tempo a encontrar o easter-egg e mudar de vida. Seu melhor amigo é Aech, um caça-ovos bastante influente, e ele desenvolve posteriormente um relacionamento com Art3mis, uma caça-ovos com grande conhecimento e muito popular. Em uma realidade tão ampla, é contraditório pensar que são poucos os personagens a que são dedicadas histórias e personalidades significantes. Apesar disso, há uma grande evolução do personagem de Wade durante o livro, mesmo que em muitas situações ele mostre grande imaturidade.

O livro funciona como uma grande homenagem para uma década muito marcante, e o ritmo da narrativa se intensifica à medida que a história desenvolve. É um livro envolvente, e a sucessão de fatos tem grandes consequências para esse futuro distópico. No entanto, Cline peca em criar uma trama previsível, e dar pistas descaradas demais por vezes. A tradicional jornada do herói é retratada em detalhes, e muitas vezes o livro se perde em clichês desnecessários, principalmente no final, que mudou pouco o panorama da história.

A crítica à dependência do mundo virtual é válida, e o autor deixa isso claro em vários momentos. Apesar de não inovar, a história entretém e envolve o leitor até o desfecho. Leitura recomendada.

Minhas referências preferidas:

Torrent, utilizado para baixar arquivos ilegalmente na internet: “Se havia algo de que eu precisava que não estava disponível legalmente de graça, quase sempre o conseguia usando o Guntorrent, um programa de compartilhamento de arquivos usados por caça-ovos do mundo todo.”

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Expressão utilizada por Hannibal Lecter em suas conversas com Clarice Starling em O Silêncio dos Inocentes: “Parzival: Eu me recuso a responder a mais perguntas se você não começar a retribuir.

Art3mis: Beleza. Quid pro quo, dr. Lecter. Vamos nos revezar nas perguntas. Pode começar.”

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Rivendell, na versão em português Valfenda, morada do elfo Elrond em O Senhor dos Anéis: “– Parece Rivendell – Aech disse, tirando as palavras de minha boca. Concordei. – É igualzinho a Rivendell, da trilogia O Senhor dos Anéis – eu disse, ainda olhando para a paisagem, encantado. – A esposa de Og era uma grande fã de Tolkien, você não se lembra? Ele construiu este lugar para ela.”

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P.S.: O livro Jogador nº1 vai ser adaptado para os cinemas, e o roteiro, escrito por Zak Penn (X-Men 2, O Incrível Hulk), já está pronto.

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assinatura karen caires

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4 thoughts on “Universo Paralelo #21: Resenha Jogador nº 1

  1. Gente, precisava comentar aqui, procurando saber mais do clube do livro (do qual agora também sou membro) encontrei a resenha e conheci o livro. Aqui é preciso abrir um parêntese e dizer que muitas vezes (mais do que reconheço) julgo sim um livro pela capa, minha desculpa? o tempo e a correria do dia-a-dia que em vez de ler sinopses e comentários sobre a obra me faz passar as capas de livro pelo visualizador do calibre e ler o que mais me chama atenção. Voltando ao assunto a não conhecia a obra e pra falar sério só pela capa eu não leria, só depois de achar a resenha no blog e ler foi que praticamente comecei a babar pelo livro e amei. E assim como a autora da resenha Karen Caires bem falou o livro é praticamente composto de referências aos anos 80 principalmente no que se refere a jogos e computadores e eu amei, o jogo de futuro e passado com que o autor brinca o tempo todo me fez terminar o livro num dia só. Ansiosa pela adaptação para os cinemas, Poxa comentário super gigante, mas o livro vale muito a pena principalmente pra quem gosta de cultura nerd, mesmo não sendo um (euzinha) e o blog tá de parabéns tanto pela resenha que ficou ótima quanto pela ideia do clube e por apresentar livros incríveis.

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    • Oi, obrigada por comentar! Conheço pessoas que só consideram a capa na hora de escolher um livro para ler, e que bom que você foi além e gostou da história. A década de 80 moldou muito da nossa sociedade atual, e é legal ver todas essas referências em um só livro, valorizando a cultura da época. Eu também só li por causa do Clube do Livro, e acabei gostando bastante. Espero que você possa acompanhar o projeto!

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  2. Achei a ideia do OASIS tão incrível, mas ao mesmo tempo um pouco triste, é como se você se transformasse em um personagem e passasse toda a sua vida ali. Seu trabalho, momentos de lazer, amigos, namoro, tudo em uma realidade virtual. Ao mesmo tempo em que considero que algo assim seria bem legal, também fico preocupada com a falta de convívio com outras pessoas e a ausência do mundo real.

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    • Enquanto lia pensei nisso também… Chega um ponto em que o Wade passa todo o tempo que pode só dentro do OASIS, e é meio assustador que as pessoas possam chegar ao ponto de ignorar o mundo real completamente. Obrigada por comentar!

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