Universo Paralelo #19: Resenha Morte Súbita

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Livro: Morte Súbita (The Casual Vacancy)
Autora: J. K. Rowling
Lançamento: 2012
Editora: Nova Fronteira
Páginas: 512
Skoob: 4.0

 

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Sinopse

Este livro de J.K. Rowling conta a história de Pagford e seus habitantes, que, após a morte inesperada de Barry Fairbrother, membro da Câmara do vilarejo, fica em choque. Pagford é, aparentemente, uma pacata cidade inglesa com tudo o de mais comum e organizado que pode haver, mas o que está por trás da fachada bonita é uma cidade em guerra – uma guerra de classes, credos, gerações e interesses. Ricos em guerra com os pobres, adolescentes em guerra com seus pais, esposas em guerra com seus maridos, professores em guerra com seus pupilos – Pagford não é o que parece ser. O assento vazio deixado por Barry no conselho municipal logo se torna o catalisador para a maior guerra que a cidade já viu. Quem triunfará em uma eleição repleta de duplicidade, paixão e revelações inesperadas?

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Eu, como fã incondicional de Harry Potter, leria até a lista de compras do supermercado de J. K. Rowling, parafraseando John Green. Mas, tive em mente, e você também deve ter, que Morte Súbita é um romance adulto, e de uma temática bastante realista. Estabelecidas as diferenças, comecei a leitura sem saber o que esperar dessa nova faceta de Rowling. Ao final, senti que o talento ainda estava lá: os detalhes bem trabalhados, a construção de personagens impecável, os arcos finalizados com precisão. A crueza de acontecimentos e os personagens envolventes realmente levam o leitor a pensar o quanto os dramas de Pagford estão próximos da nossa vida, sem nos darmos conta.

A história se passa basicamente em três ambientes: Pagford, o vilarejo onde se passa a maior parte da história, Yarvil, uma cidade de maior porte vizinha de Pagford, e o bairro Fields, que fica no território de Pagford. A história conta com vários núcleos de personagens: os Mollison, os Fairbrother, os Jawanda, os Price, os Weedon, os Wall. Apesar da abundância de personagens e cada um com sua própria história e dramas, Rowling consegue fazer com que cada um tenha um papel na grande trama que envolve o pequeno vilarejo, e todos estão conectados, de uma forma ou outra, a Barry Fairbrother. A morte precoce de Barry devido a um aneurisma desencadeia uma série de eventos, revelando vários segredos e destruindo a aparência pacífica e íntegra de Pagford. Cada personagem tem seu próprio calvário: Andrew Price, que lida com a violência e a desonestidade do pai; Sukhvinder Jawanda, vítima do bullying e das críticas da mãe; Krystal Weedon, nascida em uma família destruída pelas drogas e abusos. Ao final, pode-se ver que Barry Fairbrother, como elo dessa cidade, era também a pessoa mais íntegra em uma sociedade cheia de segredos e hipocrisia.

O inicío do livro funciona como uma introdução a todos esses núcleos, e aos poucos a narrativa se torna mais fluida com os acontecimentos cada vez mais surpreendentes. As razões para algumas das rixas e intrigas políticas que dominam o lugar também são explicadas: a rivalidade entre Pagford e Yarvil, acentuadas pelas polêmicas com o bairro Fields. Uma área destruída pelas drogas e criminalidade, Fields é de responsabilidade de Pagford, que quer devolvê-lo à Yarvil. O desprezo pelo lugar reflete o abandono que seus moradores sofrem, contendo um dos melhores núcleos do livro, o da jovem Krystal Weedon, responsável pela mãe viciada em drogas e pelo irmão mais novo, negligenciado pela mãe.

Acredito que o mais incômodo foram os trechos iniciais em que a história não parecia se desenvolver, consistindo basicamente nas rotinas dos personagens. No entanto, a narrativa evolui mais rapidamente com o tempo, à medida que os personagens se tornam mais familiares. O aspecto mais surpreendente e mais interessante consiste justamente no realismo com que a história é criada. Alguns trechos são bem fortes, e os personagens e os acontecimentos parecem muito reais pela qualidade da narrativa. Os acontecimentos finais foram chocantes e bem surpreendentes, pela fidelidade com que foram retratados.

A conclusão é simples: um livro bem escrito, envolvente, com muitas surpresas e com personagens detalhistas e bem construídos. J.K. Rowling acertou de novo.

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P.S.: Morte Súbita está sendo adaptado para TV em uma minissérie em três partes produzida pela BBC em parceria com a HBO. O primeiro capítulo vai ao ar no dia 15 de fevereiro, na BBC One.

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assinatura karen caires

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