Universo Paralelo #18: Crítica: A Esperança – Parte 1

mockinjay

Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 (The Hunger Games: Mockingjay – Part 1)

Direção: Francis Lawrence

Roteiro: Peter Craig, Danny Strong

Elenco: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Woody Harrelson, Donald Sutherland, Philip Seymour Hoffman, Julianne Moore, Sam Claflin, Natalie Dormer.

Duração: 123 min

Avaliação no IMDb: 7.2/10

Avaliação no Rotten Tomatoes: 66% de aprovação

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Sinopse:

O fenômeno mundial Jogos Vorazes continua a incendiar o mundo com Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1, que traz Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) no Distrito 13 depois de ela literalmente destruir os jogos para sempre. Sob a liderança da Comandante Coin (Julianne Moore) e os conselhos de seus amigos de confiança, Katniss abre suas asas enquanto luta para salvar Peeta (Josh Hutcherson) e uma nação movida por sua coragem.

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Depois do sucesso de crítica e público de Em Chamas, a responsabilidade recaiu mais uma vez sobre os ombros de Francis Lawrence, e dessa vez, tão complexa quanto a própria adaptação que conduziu. A Esperança é motivo de controvérsia até entre os próprios fãs, embora a maioria defenda o modo como Collins conduziu o fim de sua trilogia. Somado a isso, têm-se um tema mais pesado e uma abordagem mais adulta do universo distópico de Panem, cujo grand finale foi dividido em dois filmes (que apesar da polêmica, se mostrou a decisão mais coerente para a história, e claro, lucrativa). Dados os desafios, Francis Lawrence mostrou mais uma vez sua competência em adaptações e se ateve à expectativa da sólida base de fãs e à essência da história: retratou os bastidores da propaganda política na qual Katniss é um joguete e o posicionamento rebelde no começo de uma guerra que assola Panem, dando o espaço devido para a ação e para o desenvolvimento dos personagens, cada vez mais destruídos pelo jogo do qual fazem parte.

A Esperança pt. 1 é, antes de tudo, um filme sólido. É notável a qualidade da produção envolvida: um dos trunfos da franquia em geral, principalmente na era Francis Lawrence. Tudo é feito com cuidado, cada detalhe atende a seu propósito, o roteiro é bem construído e traz toda reflexão política e psicológica retratada na primeira parte do livro, que passa de um período de propagandas e manipulação para um da ação da guerra propriamente dita, esta a ser retratada na Parte 2. Acredito que a descrição mais apropriada é que essa parte da história é um jogo de sutilezas: há um quê de mistério, já que o distrito 13 nem mesmo existia para os outros habitantes de Panem, assim como de receio. A guerra está no começo, e as propagandas, tanto rebeldes quanto do governo opressor, servem como uma última tentativa de influenciar uma população que ainda não tem certeza sobre a guerra. Enquanto isso, uma Katniss destruída fisicamente e psicologicamente após dois Jogos Vorazes percebe aos poucos que foi colocada novamente em um jogo, apenas mudou de time (nem tão diferentes, por sinal). Do outro lado, Snow usa Peeta como arma para destruir “o Tordo da rebelião”, aliado a uma abordagem ainda mais violenta do que a mostrada em Em Chamas. Definitivamente Lawrence teve maior liberdade criativa ao conduzir esse filme, mudando a cronologia de alguns fatos, a presença de certos personagens, as falas e as características dos mesmos, seja por uma questão de escolha (para surpreender mais na Parte 2) ou por questões de adaptar o conteúdo às telas, trazendo uma visão mais pessoal do diretor.

Um dos pontos mais positivos é que as atuações atingiram seu ápice. Jennifer Lawrence, mais uma vez, rouba a cena e realmente expõe todas as reações de Katniss às situações cada vez mais complicadas às quais ela é submetida. Josh Hutcherson teve mais desafios, e respondeu a todos eles com muita competência. Ambos, por sinal, protagonizam uma marcante cena que me surpreendeu pela qualidade, superando até mesmo o que eu imaginava pela leitura do livro. Julianne Moore, como Presidente Coin e Philip Seymour Hoffman, como Plutarch, mostraram toda sua experiência e talento. Os outros membros do elenco, sejam os já conhecidos Woody Harrelson (Haymitch) e Elizabeth Banks (Effie) ou os novatos, a exemplo Natalie Dormer (Cressida) entregam ótimas atuações e integram um forte elenco, que promete ainda mais para sua sequência. Os figurinos e cenários, mais sóbrios devido ao estilo de vida econômico e rígido do Distrito 13, mostram a mesma dedicação e qualidade já características da franquia.

Ao contrário do que tenho ouvido, não acredito que a diminuição do tempo das cenas de ação não tenha sido algo negativo: condiz perfeitamente com a abordagem dessa parte do livro, já que a parte 2 envolve mais conflitos e será como um “complemento” para a parte 1, mais reflexiva. No entanto, a adaptação tem suas falhas, que são basicamente detalhes que poderiam ter sido colocados em vez de cenas que teriam sido cortadas em uma edição mais rigorosa e constituem cerca de dez ou quinze minutos do filme. Detalhes sobre a rotina e a alimentação rigorosa do distrito 13, assim como a programação diária que eles recebem todas as manhãs, ajudam a compreender mais o funcionamento do lugar assim como mostrar a outra faceta da “democracia” que eles defendem. A construção da personalidade de Coin também foi abrandada, tirando um pouco de sua faceta manipuladora e ambiciosa, talvez para aumentar o impacto dos eventos seguintes, assim como uma das exigências do Tordo, também omitida: “Eu mato Snow”. Uma sequência em especial, uma das mais aguardadas por mim, se revelou problemática: o discurso de Finnick. Individualmente, cada um dos eventos que estão ocorrendo é muito importante e foram muito bem retratados, tanto o resgate de Peeta quanto a entrevista com Finnick (Sam Claflin fazendo um ótimo trabalho, por sinal). No entanto, colocá-las simultaneamente fez com que o último fosse desvalorizado. O discurso de Finnick representa todas as abominações que por muito tempo ficaram escondidas da população de Panem e que retratam a condição dos tributos, que mais do peças, se tornaram escravos, à mercê da vontade de Snow, e o fato de esse importante trecho não receber destaque foi uma abordagem errônea, infelizmente.

Com mais acertos que erros e direção e atores altamente competentes, A Esperança Parte 1 mostrou que é mais do que um blockbuster adolescente, e traz conteúdo político inteligente e bem trabalhado. A mensagem de Collins foi transmitida com sucesso, mostrando mais uma vez que a realidade de Panem não está muito distante da nossa.

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Nota: 4,5/5

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assinatura karen caires

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