Mockingjay: a revolução que começou em 2012

Tudo começou em 2012, quando eu assisti a Jogos Vorazes no cinema e simplesmente precisava saber como acabaria aquela história. Resolvi ler os livros e o fiz em um espaço de tempo curtíssimo. Pronto. Agora a expectativa era outra: saber como ficariam os próximos filmes. Como fariam a arena em Catching Fire ou como acomodariam todos os acontecimentos de Mockingjay no cinema sem decepcionar o leitor. Algumas dessas questões já foram respondidas nos meses de Novembro do ano passado e deste ano.

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Em A Esperança (Mockingjay), o livro, acompanhamos todo turbilhão interno de Katniss diretamente após ser resgatada nos jogos e levada ao Distrito 13, uma base militar da resistência, localizada abaixo do nível do solo nos destroços deixados após a guerra de Panem. Nós a vemos resistir à rotina imposta de treinamento e disciplina para que se torne o Mockingjay (Tordo, na versão em português), o símbolo da resistência. Em outras palavras, é tudo muito arrastado até a ação realmente começar a acontecer. Os eventos são importantes para o andamento da história, mas no cinema teriam um ritmo que desafiaria qualquer espectador a não pegar no sono.

Em A Esperança, o filme, o diretor Francis Lawrence resolveu o problema e repetiu a ótima adaptação que realizou no anterior Em Chamas (Catching Fire, de 2013). O roteiro de Peter Craig e Danny Strong elimina tudo que atrasa o ritmo da história, deixando o filme rápido – duas horas que passam como vinte minutos – e eletrizante. Sabendo desde o início que esta seria apenas a parte 1, imaginava que tudo o que fosse realmente empolgante na trama seria guardado para a metade final, mas não é o que acontece.

A primeira parte da resolução da trama mostra o conflito de Katniss (Jennifer Lawrence) sem exageros e se centra no resgate de Peeta, aprisionado e torturado pela Capital, enquanto a resistência tenta aos poucos moldar a “garota em chamas” para que ela se torne o símbolo, a figura que inspirará os demais distritos a se juntarem à rebelião. Algumas adaptações garantem que o afinado elenco permaneça junto, como a presença de Effie Trinket (a sempre excelente Elizabeth Banks), que originalmente estaria na Capital. Effie foi inserida para substituir duas personagens dos livros que foram deixadas de lado nos filmes: Flavius e Octavia, os dois preparadores estéticos de Katniss durante os jogos, e assim garantiu que a ótima química entre Banks, Lawrence e Woody Harrelson, que interpreta Haymitch Abernathy, permanecesse um pouco mais na telona.

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A ausência proposital da “porção arrastada” do livro na trama possibilitou o foco na ação e na introdução dos novos personagens que terão peso vital na conclusão da saga, como a Presidente Alma Coin (Julianne Moore) e a cinegrafista Cressida (Natalie Dormer, de Game Of Thrones) e ainda retornar tantos outros introduzidos no filme anterior, principalmente Plutarch Heavensbee, vivido pelo já falecido Phillip Seymour-Hoffmann (que deixa uma das maiores questões em toda saga no cinema: o que ele já filmou da segunda parte e o que ficou faltando?). É como se os roteiristas e o diretor Francis Lawrence tivessem encontrado uma maneira mágica e muitíssimo acertada de costurar todos os momentos empolgantes da história juntos, utilizando a essência do livro como fio. Ou seja, a “porção arrastada” não está lá, mas isso não compromete ou sequer desfigura a obra.

Tudo começou lá em 2012. Uma obra de literatura jovem que revolucionou a literatura jovem. Que mostrou que se pode fazer obras bem escritas e flertando com conteúdo adulto, utilizando personagens com os quais o público jovem pode se identificar de maneira positiva. Essa revolução que é bem representada em adaptações excelentes no cinema, que evocam questões e geram discussão. E falta pouco para que todas essas questões sejam respondidas de vez. Até mesmo a do Phillip Seymour-Hoffmann.

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Luis Fernando Volkweis Filho

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