[Resenha] O que me Disseram as Flores – Alane Brito

Título: O que me disseram as Flores
Autora: Alane Brito
Editora: Literata
Ano de publicação: 2014
Número de páginas: 290
ISBN: 9788582700389

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Sinopse: Presa a uma promessa feita por seu pai, Ângela decide desafiá-lo a aceitar que não é vontade dela se casar com alguém que conhecia apenas através de cartas. Deixando-se levar por uma mentira, William viaja até a prometida, acreditando encontrar uma moça tão apaixonada quanto ele. Entretanto, depara-se com a força da raiva de alguém com quem sonhava passar o resto de sua vida. Por conta do grande amor que aprendeu a nutrir por ela, decide, então, lutar para conquistá-la. Usando a linguagem das flores para se declarar e, cada dia, se revestindo de uma força descomunal para suportar as palavras afiadas e suas duras atitudes, ele tenta encontrar uma maneira de fazer com que o ódio, que ela tanto demonstra sentir, se transforme em algo bom, mas para isso ele mesmo precisa continuar acreditando que é possível… Um grande amor é realmente capaz de suportar tudo? Conheça a emocionante história de duas pessoas numa mesma batalha, mas que lutam por desfechos diferentes. E que vença o mais obstinado.

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O Que Me Disseram as Flores é o segundo livro da escritora Alane Brito – parceira do Blog Da Literatura – lançado recentemente pela editora Literata. A história é dividida em três épocas: 1912, 1933 e a atualidade. A primeira época passa-se na cidade fictícia de Belo Parque, no estado de Santa Catarina, e nos apresenta dois amigos inseparáveis, Santiago Marques e Afonso Dantas, o surgimento do amor entre Santigo e Elisa, o fortalecimento da amizade através de uma promessa e a formação da família. Esse é um capítulo rápido e realmente nós somos apresentados a todos esses acontecimentos: Santiago conhece Elisa, apaixona-se, pede sua mão em casamento. Então, ele e seu amigo Afonso resolvem fazer a promessa de que casariam seus filhos quando tivessem idade para isso, ou seja, se Santiago tiver um filho homem, casá-lo-ia com a filha de Afonso (caso ele venha a ter) e vice-versa.

Anos mais tarde, no próximo capítulo, o leitor é levado ao Rio de Janeiro de hoje, onde conhecemos Raquel, uma adolescente que faz uma viagem de férias até a Fazenda Pinheiros, localizada em Belo Parque, no oeste catarinense. Essa viagem é feita a contragosto porque Raquel prefere ficar em sua cidade e sair com os amigos ao invés de visitar os familiares em uma cidadezinha de interior numa fazenda afastada da cidade. Já que viajar era algo inevitável – ela teve que ir – Raquel tentou se distrair vasculhando a casa e lendo um diário assinado por Ângela Marques. Raquel, inicialmente, não reconhece o nome mas fica curiosa e o lê, a fim de passar o tempo e, talvez, descobrir algum segredo de sua família.

Daqui em diante a narrativa da história muda pois é contada a história de Ângela, em 1933, e sobre o seu sentimento em relação à promessa feita por Santiago anos antes. Ângela não quer cumprir o prometido pelo pai porque, dentre diversos motivos, acredita que o casamento deve ser por amor. A personagem sente-se presa a uma promessa não feita por ela e, desde o início demonstra sua insatisfação, sua irritação, sua tristeza e sua decepção com o pai já que William, filho de Afonso Dantas, vai à Fazenda Pinheiros com o intuito de concretizar a promessa e realizar o casamento com Ângela.

William já recebe a notícia da própria noiva que ela não é a favor do casamento pois não o ama. Achei um ato bastante ousado para os anos de 1933 o fato de Ângela contrariar o pai e dizer o que pensa imediatamente. Da mesma forma, William continuar hospedado na Fazenda Pinheiros, em uma tentativa de provar para Ângela que é possível ela mudar de ideia e corresponder ao amor que William a devota, é de se admirar. William arruma o jardim, pinta um quadro, vai a um baile e é humilhado publicamente, é criticado a todo o tempo e, mesmo assim, (repito, MESMO ASSIM), ele não desiste de sua amada. E, das muitas habilidades de William, uma delas é bem interessante e, creio eu, serviu de inspiração para o título: várias manhãs, William deixava no parapeito de uma das janelas do quarto de Ângela, uma flor. Cada flor deixada ali possuía uma mensagem que combinava com o estado de espírito de William. Essa parte achei lindíssima e muito romântica.

Porém, fiquei pensando se eu realmente iria gostar da história ou se a acharia clichê. Minhas últimas leituras, quando se tratam de narrativas de amor, andaram me decepcionando um pouco. Nem sempre acho convincente amor à primeira vista, paixonite aguda e aquele sentimento de “preciso ficar contigo senão vou morrer”. Ai, gente, sinceramente? Acho que isso funcionava bastante nos romances românticos do século XIX e só. A questão aqui é que Alane Brito não faz isso. O texto não é forçado, no sentido de fazer os personagens se apaixonarem loucamente e pronto. Não. Aliás, se fosse assim eu, talvez, estaria me arrastando na leitura… Toda a história é bem construída e verossímil e os personagens são bastante plausíveis já que possuem qualidades e defeitos, lembrando que o ser humano é assim e se revela conforme as circunstâncias. Nesse sentido, achei os personagens criados por Alane Brito muito bem construídos e humanos.

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As personagens mais importantes são, logicamente, Ângela e William, porém podemos dizer que Leonardo, Lilian e Felipe possuem grande destaque na obra. A personagem masculina de que mais gostei foi William. Incansável, demonstrou que é um homem que sabe exatamente o que quer. A todo tempo tentou conquistar Ângela e fazê-la entender que seus sentimentos por ela eram sinceros. William é bonito, talentoso, gentil, educado e bastante corajoso. Diante de todas as situações constrangedoras que Ângela o fez passar, eu diria até que ele é um “santo homem”. 🙂

Ângela, no entanto, não me conquistou, não foi a personagem feminina de que mais gostei. Eu apreciei, e muito, a forma como ela foi desenvolvida por Alane Brito, mas pessoalmente me incomodei com algumas ações da personagem. Explico: a imaturidade de Ângela pareceu-me desvio de caráter. Ângela é muito birrenta e mimada, sinceramente. Considero a irritação dela por ser obrigada a cumprir uma promessa que não fez totalmente legítima. Concordo com a ideia dela em dificultar o máximo que pode para que o casamento não ocorra, mas achei que os meios utilizados foram totalmente inconsequentes. Apesar de ela se sentir vítima e acreditar nisso, achei-a muito manipuladora. No entanto, ela deu-se conta e se arrependeu, o que muito me agradou porque, apesar de eu ter condenado algumas atitudes da personagem, seu arrependimento fora inteiramente sincero.

Lilian foi a minha personagem feminina preferida porque eu a considero muito ética e essa é uma qualidade que admiro nas pessoas. Lilian é muito amiga de Ângela, dá muitos conselhos a ela, apesar de toda a sua imaturidade e é uma boa irmã. Quando se descobre interessada em William não esconde por inteiro seu sentimento, já que sempre o elogia e revela profunda admiração pelo rapaz. Lilian apoiou Ângela em todos os momentos e, até quando achava que pudesse ter uma chance com William foi fiel à amizade. Quando necessário, mostrava sua reprovação às atitudes de Ângela. O personagem masculino que possui características muito semelhantes à Lilian, é seu irmão, Felipe. No entanto, acho a Lilian com uma personalidade muito mais forte. O fato de Felipe abrir mão de seu romance com Ângela logo que soube da promessa, incomodou-me um pouco. Questiono se seu sentimento era tão forte assim… Apesar da justificativa dada por ele, sempre penso que uma pessoa apaixonada dificilmente desistiria de seu amor por causa de uma promessa.

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Página 234: Um diálogo que considero muito engraçado.

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E, finalmente, o arqui-inimigo de William, Leonardo. Como eu gostei do Leonardo! Achei que a presença desse personagem deu um toque especial ao livro já que as cenas protagonizadas por ele foram muito emocionantes. Eu fiquei com tanta raiva do Leonardo durante a leitura que fiquei muito triste com o desenrolar dos acontecimentos. Não vou comentar mais para evitar spoilers.

O fim da história é surpreendente e lindo. E, a escritora “une as pontas”, retornando aos dias de hoje e fazendo Raquel refletir sobre os acontecimentos lidos no diário de Ângela.

A linguagem utilizada pela autora é compatível com a época por ela descrita. Algumas expressões como “parvo” e “convescote” remontam-se ao fim do século XIX e início do XX. Além disso, os costumes representados no romance também condizem com o mundo ficcional criado por Alane Brito e leva o leitor em uma viagem pelo passado.

E, além de todos esses elementos citados, acredito que o leitor de O Que me Disseram as Flores, vai se apaixonar com a trama, porque a obra nos deixa muito curiosos! Achei que enlouqueceria se não soubesse o final.

Recomendo e muito a leitura de O Que me Disseram as Flores !

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3 thoughts on “[Resenha] O que me Disseram as Flores – Alane Brito

  1. Que resenha linda, Ana Karina!! Cada análise bastante interessante, o texto impecavelmente desenvolvido. Fico feliz por ter confiado a análise do meu livro a você! Muito obrigada!! Agora fiquei mais ansiosa pela resenha de O Trio! rsrs
    Beijão!!!!

    Curtido por 1 pessoa

    • Ah, Alane, que bom que tu gostaste! Eu estava ansiosa para saber. 🙂
      Em breve O Trio será resenhado também… hehehe… E eu também fico feliz e agradeço a confiança pelo trabalho feito aqui no blog.
      Um beijão e sucesso nos próximos projetos!
      Ana Karina.

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