Universo Paralelo #16: Resenha Maze Runner: Correr ou Morrer livro+filme

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Livro: Maze Runner: Correr ou Morrer (The Maze Runner)

Autor: James Dashner

Lançamento: 2009 (nos EUA) / 2010 (no Brasil)

Editora: V & R (Vergara e Riba)

Páginas: 426

Skoob: 4,6

 

 

 

 

Sinopse

Ao acordar dentro de um escuro elevador em movimento, a única coisa que Thomas consegue lembrar é de seu nome. Sua memória está completamente apagada. Mas ele não está sozinho. Quando a caixa metálica chega a seu destino e as portas se abrem, Thomas se vê rodeado por garotos que o acolhem e o apresentam à Clareira, um espaço aberto cercado por muros gigantescos. Assim como Thomas, nenhum deles sabe como foi parar ali, nem por quê. Sabem apenas que todas as manhãs as portas de pedra do Labirinto que os cerca se abrem, e, à noite, se fecham. E que a cada trinta dias um novo garoto é entregue pelo elevador. Porém, um fato altera de forma radical a rotina do lugar – chega uma garota, a primeira enviada à Clareira. E mais surpreendente ainda é a mensagem que ela traz consigo. Thomas será mais importante do que imagina, mas para isso terá de descobrir os sombrios segredos guardados em sua mente e correr, correr muito.

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Há algum tempo, li a resenha de Maze Runner: Correr ou Morrer no skoob, e nem me lembro mais onde tinha ouvido falar do livro. Adicionei o título à minha quilométrica lista de leituras, mas apenas a algumas semanas antes do lançamento da adaptação tive a oportunidade de o ler. Este é o primeiro da trilogia distópica de James Dashner, que conta com as sequências Prova de Fogo e A Cura Mortal, além de Ordem de Extermínio, que relata acontecimentos antes da existência do Labirinto e da chegada de Thomas à Clareira, e do extra Maze Runner: Arquivos, que traz documentos confidenciais do CRUEL, memórias dos Clareanos, entre outros. Após terminar o primeiro, digo com certeza que mal posso esperar pelo próximo.

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Basicamente, a história começa com o garoto Thomas subindo em um elevador e chegando a um lugar aberto cercado por grandes muros, e com vários garotos o observando. Sem memórias e lembranças de onde veio ou quem é, apenas sabendo seu nome, Thomas conhece os Clareanos, garotos que assim como ele, chegaram ao lugar que chamam de Clareira, sem memória e sem saber por que estão lá. Os muros pertencem a um labirinto que cerca a Clareira, e ao amanhecer as portas se abrem, e ao pôr-do-sol se fecham. Os garotos formaram uma espécie de comunidade onde cada um tem tarefas na Clareira, e os corredores são os garotos que percorrem o labirinto durante o dia para encontrar uma saída. O nome The Maze Runner faz referência a isso, aos corredores (runners) que percorrem o labirinto (The Maze). No entanto, Thomas tem vagas lembranças de já conhecer o local, e no dia seguinte, uma garota chega ao lugar, coisa que nunca havia acontecido, já que só chegam garotos uma vez ao mês, e ela traz a mensagem que é a última. Essa é a premissa que norteia a história: a chegada de Thomas e da garota misteriosa e as consequências que isso traz.

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A história é contada em terceira pessoa, mas construída sob a perspectiva de Thomas, inclusive seus pensamentos e lembranças. A narrativa se desenvolve aos poucos no começo: Thomas ainda está muito confuso, e o autor aos poucos apresenta a Clareira e seus habitantes, e tal como o protagonista, ainda estamos no escuro: há muito mistério e muito a ser descoberto. À medida que Thomas conhece mais os Clareanos, e se habitua à sua rotina, mais pistas são reveladas, e a entrada de Teresa, a garota que chegou à Clareira, causa grandes reviravoltas. O grande trunfo do enredo é justamente esse: a imprevisibilidade e o mistério que cerca a história. A cada capítulo, eu não tinha ideia do que estava por vir, e esse sentimento de ~capítulo de Lost~ impulsiona a leitura, que mesmo não sendo apressada, dá um ceto sentimento de urgência interessante pela sucessão de acontecimentos.

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Eu não sei o que eu esperava.

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Alguns dos aspectos intessantes criados pelo autor foram as gírias usadas pelos Clareanos: mértila, pong, trolho, entre outros. Apesar de demorar um pouco para me acostumar, não chegaram a ser um incômodo, e acredito que tem um papel muito interessante na história: uma identidade aos Clareanos. Eles não se lembram da sociedade, nem da família, e a comunidade que formaram é simbolizada pela linguagem e costumes que desenvolveram. Além disso, algo bem peculiar são os temidos Verdugos: criaturas que percorrem o labirinto principalmente durante a noite. Em uma mistura de animal e máquina, ao mesmo tempo nojentos e assustadores, o desespero que eles causam nos personagens é descrito de forma bem evidente, e são fundamentais para o desenrolar da trama: quando alguém é picado por um deles, deve tomar o Soro desenvolvido pelos Criadores (aqueles que criaram o labirinto) e passa pela Transformação, uma experiência bem estranha que enfraquece os humanos e traz certas lembranças aos Clareanos.

Aqui estão algumas das artes conceituais dos Verdugos liberadas em virtude do filme:

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Um dos detalhes que me chamou a atenção durante a leitura foi a forma como o autor reforça o conceito da perda de memória dos Clareanos, e os fragmentos de lembranças que Thomas e Teresa, principalmente, recuperam por vez ou outra, ressaltando a ideia distópica da manipulação da memória de forma seletiva.

” ‘Por que me lembro desses animais?’, perguntou-se Thomas. Nada em relação a eles parecia novo ou interessante — ele sabia como eram chamados, o que comiam, qual a aparência de cada um deles. Por que esse tipo de coisa continuava na sua memória, mas não onde ele vira os animais antes, ou com quem? A complexidade daquela perda de memória era desconcertante.”

Em minha humilde bagagem de literatura distópica, não encontrava uma história como The Maze Runner há algum tempo: algo que tenha bastante ação, mistérios e que saiba passar com fidelidade a intensidade emocional das experiências dos personagens. A construção da personalidade de Thomas ao longo do livro é bem interessante, mostrando como cada dificuldade e cada descoberta o fazem descobrir mais sobre si mesmo, e o autor é bem incisivo ao expor os conflitos pessoais de Thomas em uma situaçao tão extrema. Teresa, apesar de não ter sido muito explorada no primeiro livro, mostra claramente que crescerá ao longo da trilogia, e está muito ligada ao protagonista. Chuck, um garoto que chegou antes de Thomas, Newt, um dos líderes, e Minho, o Encarregado (chefe) dos corredores, também tem um desenvolvimento notório ao longo da narrativa, sendo bem cativantes. Gally, que logo de início se tornou “inimigo” de Thomas, não foge muito ao estereótipo de bully entre os adolescentes, mas suas ações ao longo do livro são bem intrigantes, e ele se mostra bem instável e perigoso. Dashner não negligencia que os Clareanos são apenas adolescentes, mas lhe dá a fibra necessária de quem passa por situações de perigo e medo e tem que se adaptar a isso.

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“- Mas que droga, estou com medo.
– Mas que droga, você é humano. Então tem de estar com medo.”

A adaptação cinematográfica de Maze Runner: Correr ou Morrer é de responsabilidade da 20th Century Fox e chegou aos cinemas brasileiros no dia 18 de setembro. Com direção de Wes Ball e roteiro Noah Oppenheim, tem no elenco Dylan O’Brien (Teen Wolf), Kaya Scodelario (Skins), Thomas Sangster (Game of Thrones), Will Poulter (As Crônicas de Nárnia), Ki Hong Lee (New Girl), entre outros.

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Após assistir a Maze Runner: Correr ou Morrer, o sentimento que ficou foi uma euforia misturada a uma ligeira frustração. Com seus pontos fortes e fracos, me surpreendeu em muitos aspectos, mas também me decepcionou em outros. Felizmente, os prós se destacaram, mas os erros devem ser de motivação para a sequência que será lançada em 2015: Maze Runner: Prova de Fogo (The Scorch Trials). Vamos por partes.

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Meu primeiro requisito para a adaptação, principalmente pelo fato de ter lido o livro recentemente, era a fidelidade. Alguns diretores já provaram que sim, é possível fazer boas adaptações sendo fiel ao material original. E The Maze Runner, analisado como um todo, é fiel. Porém, a forma como os fatos se sucedem no filme foi mudada aqui e ali para dinamizar o filme, já que algumas descobertas no livro são feitas em etapas. Muitas mudanças foram necessárias, mas acredito que um esforço maior para manter a fidelidade ao livro teria caído bem, principalmente no quesito personagens. A personalidade dos mesmos e alguns fatos muito importantes foram deixados de lado, diminuindo a qualidade da adaptação e a coerência da história. Se tratando do enredo, é bem dinâmico, e não deixa o filme cansativo. A atmosfera de medo e mistério conseguiu ser transmitida ao filme em grande parte, principalmente nas cenas de ação.

Wes Ball acertou em cheio se tratando dos efeitos visuais, mesmo com um orçamento modesto. O labirinto, apesar de não parecer tão claustrofóbico quando eu imaginava, foi muito bem retratado: gigantesco, e por isso assustador. Os momentos em que os corredores percorrem o labirinto passam essa sensação de grandeza e de urgência aliada ao medo: urgência de fugir do labirinto, assim como de escapar dos verdugos. Estes também me surpreenderam pelo competente trabalho: os verdugos são realmente assustadores. As cenas noturnas no labirinto e as de perseguições dos verdugos foram muito bem retratadas, ditando o clima do filme.  As cenas de ação, e principalmente as sequências finais do filme foram bastante competentes e bem-sucedidas em transmitir a situação dos Clareanos e suas reações aos acontecimentos.

O roteiro, no entanto, foi uma decepção. Acredito que um trabalho mais cuidadoso deveria ter sido feito, já que mudanças foram feitas nos acontecimentos da história, e, portanto a mesma deveria ter se adaptado a isso. Esse descuido originou alguns furos de roteiro, como uma cena final envolvendo o personagem Gally (evitando mais spoilers). Além disso, o excesso de tempo gasto com explicações por si só poderia ter sido gasto para aprofundar a relação entre os personagens e a exploração dos personagens secundários, fazendo com que as descobertas de Thomas pudessem graduais e mais naturais.

Os personagens constituem um dos pontos mais controversos do filme: a abordagem inadequada da direção em relação aos coadjuvantes prejudicou o desenvolvimento dos mesmos, ao passo que alguns do jovem elenco se destacaram pela qualidade das atuações. Dylan O’Brien, personagem em torno do qual o filme se desenvolve, entregou uma atuação competente e envolvente, estando à altura do papel. Thomas Brodie-Sangster também se destacou como Newt, apesar de ter sido negligenciado na narrativa mesmo com sua importância no livro. Dois personagens que são cruciais no livro, mas foram mal retratados no filme, foram Teresa e Chuck. Ambos se tornam os mais próximos de Thomas, mas na adaptação se destacam em uma ou outra cena mais dramática. Gally, que no livro é um bully imprevisível e perigoso, até meio louco com o decorrer da história, se tornou um adolescente meio mandão e bruto, que ao fim, toma atitudes totalmente incoerentes com o progresso de seu personagem. A falta de eficiência na construção dos personagens prejudica a narativa, pois impede que o espectador conheça e crie uma conexão com os personagens,que com a abordagem dada, se tornaram meros figurantes.

Com seus altos e baixos, The Maze Runner convence pela qualidade da produção em contar uma história tão cheia de mistério, rendendo sequências de ação envolventes com bons efeitos e tendo um elenco jovem, mas promissor; porém falha em construir bem seus personagens e desenvolver um roteiro que saiba conciliar fidelidade e dinamicidade, se submetendo a erros elementares.

 

“Thomas sentiu uma gota de coragem dentro de si – agarrou-a como pôde, aferrou-se a ela, desejou ardentemente que crescesse. Newt estava certo. Naquela noite eles lutariam. Naquela noite haviam tomado uma decisão, de uma vez por todas.”

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Nota do livro: 5/5

Uma mistura intensa de ação e mistério. Com personagens interessantes, uma trama intrigante e envolvente, o autor transmite bem as emoções e a tensão que marcam a narrativa desafiadora.

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Nota do filme: 4/5

Efeitos competentes e cenas de ação eletrizantes marcam a adaptação, que conta com boas atuações; porém a falta de desenvolvimento adequado dos personagens secundários incomoda e o roteiro deixa a desejar. 

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assinatura karen caires

 

 

 

 

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2 thoughts on “Universo Paralelo #16: Resenha Maze Runner: Correr ou Morrer livro+filme

  1. “Chuck, um garoto que chegou antes de Thomas, Newt, um dos líderes, e Minho, o Encarregado (chefe) dos corredores,” Está errado você quis dizer Alby
    🙂 mas gostei do resumo

    Curtir

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