[Resenha] Fortaleza Digital – Dan Brown

Título: Fortaleza Digital
Autor: Dan Brown
Editora: Arqueiro
Ano da edição: 2008
Número de páginas: 297
ISBN: 9788599296202

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03  cp Fortaleza Digital

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Sinopse: Em Fortaleza Digital, Brown mergulha no intrigante universo dos serviços de informação e ambienta sua história na ultrassecreta e multibilionária NSA, a Agência de Segurança Nacional americana, mais poderosa do que a CIA ou qualquer outra organização de inteligência do mundo. Quando o supercomputador da NSA, até então considerado uma arma invencível para decodificar mensagens terroristas transmitidas pela Internet, se depara com um novo código que não pode ser quebrado, a agência recorre à sua mais brilhante criptógrafa, a bela matemática Susan Fletcher. Presa numa teia de segredos e mentiras, sem saber em quem confiar, Susan precisa encontrar a chave do engenhoso código para evitar o maior desastre da história da inteligência americana e para salvar a sua vida e a do homem que ama.

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Eu já disse em outros posts mas repito: fazer o curso de Letras te deixa um tanto preconceituoso em relação à leitura de best sellers. Esse é um dos motivos pelos quais esse blog foi criado, para que possamos expor nossas ideias de leitura independente de qual tipo. Existem sim muitos best sellers de qualidade e muitos clássicos enfadonhos. Como professora, acredito na importância de leitura não apenas da literatura canônica pois os livros mais populares atraem o leitor e este, conforme o tempo vai passando, vai aprimorando o seu gosto literário.

Dito isso, deparei-me com Fortaleza Digital após muitos anos fugindo de Dan Brown. Não o lia pelo simples propósito de não o ler. Assim. Sem motivo. Aí que esse livro foi escolhido para a primeira Conversa Literária Online, projeto iniciado esse ano aqui no Blog Da Literatura, e fui obrigada a ultrapassar a barreira do meu antigo preconceito literário e ler. Ainda bem pois eu gostei do livro.

A história de Fortaleza Digital inicia, através de um prólogo, com a morte de um programador chamado Ensei Tankado. Ele está em Sevilha, na Espanha, e ao que tudo indica tem um ataque cardíaco em plena luz do dia. Ele estica os dedos onde se encontra um anel que reluz ao sol. Fim do prólogo. Após esse início perturbador, o primeiro capítulo surge apresentando uma das personagens principais, Susan Fletcher, criptógrafa da NSA, que é acordada por seu noivo, David Becker, professor universitário, que telefonara para adiar uma viagem do casal. David fala rapidamente, prometendo ligar mais tarde explicando com detalhes o motivo desse adiamento repentino. Susan fica intrigada e aguarda o telefonema de David. Toca o telefone horas mais tarde e é seu chefe, o Comandante Strathmore, solicitando a sua presença no trabalho com urgência.

Susan vai até a NSA – Agência de Segurança Nacional – para verificar o motivo de sua presença ser tão fundamental a ponto de ter que trabalhar no seu sábado de folga. A Criptografia, departamento da NSA possui um enorme e caríssimo computador denominado TRANSLTR, cuja função é decodificar qualquer arquivo criptografado na rede. Essa incrível máquina disseca milhares de informações por dia, procurando qualquer mensagem considerada um perigo para os Estados Unidos. Ninguém sabe a existência dessa máquina, além da própria NSA pois o acesso a todo e qualquer tipo de informação é um assunto que demanda diversas polêmicas relacionadas ao direito de privacidade. Aqui, é interessante observar as questões éticas debatidas no texto: a privacidade eletrônica dos cidadãos e as implicações de se ter a vida exposta para o mundo inteiro. Ao mesmo tempo em que a NSA presta um serviço de segurança, faz de tudo para descobrir o que acontece no planeta, tentando identificar criminosos, mas para isso, observa e-mails alheios e conversas pessoais indiscriminadamente.

Quando Susan chega ao local, descobre que o TRANSLTR, considerada infalível até então, está com os minutos contados: um ex-funcionário da NSA, Ensei Tankado, criou um sistema de criptografia tão poderoso que o computador não consegue decifrar. Logo, se o TRANSLTR não consegue decifrar, é obsoleto, inutilizável. Diante dessa situação, o Comandante Strathmore e Susan precisam descobrir um código de acesso para impedir a execução do sistema, batizado de Fortaleza Digital. Caso esse código caia em mãos erradas, ele pode ser divulgado ao mundo para que o Fortaleza Digital seja executado e, o sistema vindo a público, garante a privacidade de todos, incluindo os bandidos, terroristas, hackers. Assim, se todos possuírem privacidade, poderão tramar os mais diversos crimes sem que a Agência de Segurança Nacional tome conhecimento. O sistema, então, não pode existir e precisa ser destruído por Susan e pelo Comandante Strathmore. Somente uma pessoa sabe o código para desativar o sistema: Ensei Tankado. Mas este, morreu em Sevilha. Strathmore pede que David vá até Sevilha para pegar todos os pertences de Tankado a fim de que possa descobrir a tão almejada senha.

A partir daí, a narrativa é dividida entre os acontecimentos que ocorrem com Susan na Criptografia e os acontecimentos que ocorrem com David em Sevilha. O ritmo do texto é muito bom, a escrita de Dan Brown consegue nos prender do início ao fim. A história é repleta de reviravoltas, principalmente quando David está em busca do anel de ouro.

O que eu mais gostei do livro foi o fato de os acontecimentos durarem um período de 24 horas. Os personagens estão numa corrida contra o tempo que nos deixa ansiosos pelo desfecho. Li o livro em menos de duas tardes porque não aguentava mais ficar sem saber o que aconteceria com Susan e David. Os personagens foram bem construídos, até o próprio Ensei Tankado torna-se interessante pois, apesar de morrer já no início da obra, conhecemos sua história de vida e reconhecemos sua inteligência através dos comentários do narrador. O personagem é tão inteligente que fiquei lamentando o fato de ele não estar presente em mais trechos da obra. O meu personagem preferido é o David Becker: inteligente, ágil e corajoso. Praticamente desencadeia uma odisseia pelo anel, encontrando várias soluções – algumas bastante desesperadoras – para os problemas que vão surgindo. Gostei da personagem Susan, mas em alguns momentos eu me incomodei com as decisões tomadas por ela… Durante a Conversa Literária Online, uma participante disse que percebeu que os valores morais de alguns personagens são distorcidos e eu concordo com essa ideia em relação ao Strathmore e também à Susan.

A parte chatinha do livro é a linguagem tecnológica. Em diversos momentos eu pensei que não ia dar conta de terminar a leitura por me achar muito leiga no assunto. Depois eu me acostumei a isso e foi ficando mais interessante, mas algumas partes realmente me cansaram. Apesar de eu não ter gostado tanto, entendo que é extremamente necessária a presença de uma linguagem computacional, combinando com o título do livro.

O final da história é muito bom. Um pouco clichê em algumas cenas, mas bom. Confesso que em breve lerei mais alguma obra de Dan Brown já que essa me surpreendeu. Acredito que por ser o primeiro livro do autor, as outras obras devem ser melhores ainda.

Leitura recomendada!

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assinatura ana karina

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2 thoughts on “[Resenha] Fortaleza Digital – Dan Brown

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