Universo Paralelo #14: Crítica: Guardiões da Galáxia

Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy)

Direção: James Gunn

Roteiro: James Gunn, Nicole Perlman, Dan Abnett, Andy Lanning

Elenco: Chris Pratt (Peter Quill/ Star Lord), Zoë Saldana (Gamora), Bradley Cooper (Rocket Raccoon), Vin Diesel (Groot), Dave Bautista (Drax, o Destruidor), Michael Rooker (Yondu), Benicio Del Toro (o Colecionador), Lee Pace (Ronan).

Avaliação no IMDb: 8,7/10

Avaliação no Rotten Tomatoes: 92% de aprovação

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Sinopse:

Peter Quill foi abduzido da Terra quando ainda era criança. Adulto, fez carreira como saqueador e se intitula “Senhor das Estrelas”. Quando rouba uma esfera, na qual o poderoso vilão Ronan, da raça kree, está interessado, passa a ser procurado por vários caçadores de recompensas. Para escapar do perigo, Quill une forças com quatro personagens fora do sistema: Groot, uma árvore humanóide, a sombria e perigosa Gamora, o guaxinim rápido no gatilho Rocket Raccoon e o vingativo Drax, o Destruidor. Mas o Senhor das Estrelas descobre que a esfera roubada possui um poder capaz de mudar os rumos do universo, e logo o grupo deverá proteger o objeto para salvar o futuro da galáxia.

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Uma história com personagens desconhecidos para o grande público, e com uma proposta muito diferente dos outros filmes de heróis da Marvel, mas que antes de seu lançamento já tinha sua sequência anunciada durante a San Diego Comic Con em julho. Uma aposta muito alta? Pois dessa vez eles sabiam muito bem o que estavam fazendo. A Marvel/Disney caminha rumo à conclusão da Fase 2 do projeto de histórias conectadas que começou com Homem de Ferro, em 2008, e terminará com Vingadores 2, em 2015, nos entregando um de seus melhores filmes já produzidos, que já é sucesso de público e crítica.

Peter Quill é um garoto terráqueo que, após a morte da mãe, foi abduzido por uma misteriosa nave. A história se passa 26 anos depois, quando Peter se tornou um saqueador, e encontra em um de seus “trabalhos” uma das Jóias do Infinito: o Orbe. (Lembrando que essa é a terceira Jóia do Infinito que aparece nos filmes da Marvel: a primeira foi o Tesseract, usado pelo Caveira Vermelha em Capitão América: O Primeiro Vingador, e a outra o Éter, que aparece em Thor 2). Na disputa pelo Orbe, ele conhece Gamora, uma das filhas adotivas de Thanos e uma guerreira mortal (enviada pelo vilão Ronan), Rocket, um guaxinim (não segundo ele próprio) que se tornou um expert em armas e tecnologia devido a macabras experiências, e Groot, seu companheiro (uma árvore falante, mas incrivelmente forte, que só fala uma frase) e posteriormente (na prisão, mais especificamente) o vingativo Drax, o Destruidor. Unidos inicialmente por conveniência, eles acabam tentando salvar a galáxia juntos.

Divertido e cativante. Inspirado nos quadrinhos de mesmo nome, Guardiões da Galáxia é um filme com um tom descontraído e nostálgico, que diverge da tradicional linha de narrativa da Marvel pelo humor bem construído e bem colocado. Os personagens perdem um pouco seu ar heróico e são meio desajustados, o que só torna tudo mais engraçado. Em suas duas horas de filme, Guardiões da Galáxia é tão envolvente e dinâmico que nem se percebe que tem essa duração. Uma história que inicialmente se toma por despretensiosa, se mostra um roteiro muito bem escrito, com uma trama bem desenvolvida e que tem suas pontas amarradas nos momentos certos, e com coerência.

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Sim, é possível construir personagens com competência em um filme de super-heróis com muita ação. Cada um dos membros dos Guardiões tem sua história, suas motivações, e seu crescimento pessoal na história, com seus momentos de destaque. No vínculo de Peter Quill com seu walkman, sua lembrança da Terra; no desabafo de um Rocket bêbado; no conflito de Gamora por ser uma arma; Drax, o brutamonte que não entende metáforas, que mesmo não exigindo muito da atuação de Dave Bautista, tem seus momentos; e até o próprio Groot, que aparentemente não se tratava dos mais espertos, é fundamental e encantador em momentos cruciais. O vilão do filme, Ronan, convence: é perigoso, cruel, e com suas motivações deturpadas de destruição, é realmente um desafio. Os Guardiões são personagens carismáticos, envolventes e divertidos, não por tentarem ser um alívio cômico, mas por suas personalidades, tudo de uma forma bem natural. Rocket Raccoon (com uma ótima dublagem do Bradley Cooper, por sinal), juntamente com Groot, são o espírito do filme. Rocket, sarcástico e meio louco, tem alguns dos momentos mais divertidos do filme; e Groot (seu I am Groot me lembrou do Hodor, inevitável), a árvore viva (e bem poderosa, acredite), mesmo com uma frase apenas tem vários momentos importantes na história, sendo surpreendente e muito carismático. Chris Pratt apresenta uma boa atuação, atendendo a proposta do personagem; o ex-lutador de MMA, Dave Bautista, apesar de suas limitações como ator, convenceu e rendeu boas sequências de ação e humor; Zoë Saldana fez um bom trabalho, mas acredito que os roteiristas poderiam ter explorado mais o lado guerreiro de Gamora, tida nos quadrinhos como “a mulher mais perigosa da galáxia”.

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Os efeitos visuais não decepcionam, pelo contrário, surpreendem, e o 3D se justifica, e muito. O enredo espacial da história ajuda bastante: as imagens enquanto eles viajam pela galáxia, os alienígenas de todos os tipos, os planetas, as naves. Guardiões da Galáxia apresenta o universo cósmico da Marvel: um vasto espaço cheio de cores, detalhes e cenários que chamam atenção pelas peculiaridades e pela beleza (e pelo exagero divertido). A fotografia do filme merece destaque, assim como os efeitos especiais CGI (dois dos personagens principais são feitos por computação gráfica, a propósito).

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Nostálgica. Assim pode ser descrita a cativante trilha sonora de Guardiões de Galáxia, que mais do que isso, é parte da história. A Awesome Mix Vol. 1 é uma fita K7 que Peter Quill ganhou de presente de sua mãe, com várias músicas da década de 70 e que ele levava em seu walkman quando foi abduzido. O walkman e a fita representam para ele muito mais do que diversão: são o vínculo dele com a mãe e sua casa, a Terra, tanto que ele até arrisca a vida para não perdê-los. Escolhidas a dedo por James Gunn, as músicas estão presentes em momentos cruciais do filme, e por vezes ditam o ritmo da narrativa, que também é cheia de referências à cultura pop e aos anos 80 (quando Peter Quill foi abduzido).  

Para os fãs dos quadrinhos ou até dos filmes da Marvel, Guardiões da Galáxia é um prato cheio: sim, é lotado de easter eggs. Primeiramente, temos um vislumbre de Thanos, que aparece conversando com Ronan, e provavelmente será o grande vilão de Vingadores 3. E preste muita atenção nas cenas envolvendo a sala do colecionador: é possível ver o casulo de Adam Warlock e um elfo negro aprisionado (raça que aparece em Thor 2), entre outros. Muito ainda está por vir no universo cinematográfico da Marvel.

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Nota: 4,5/5

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Divertido, com personagens carismáticos e uma narrativa envolvente, conta com ótimos efeitos visuais e é mais uma boa aposta da Marvel.

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Obs.: As cenas pós-créditos combinam com o tom do filme: uma grande piada. São nada mais que uma referência a um antigo personagem da Marvel, então não espere nenhuma cena referente a Vingadores 2 (como eu estava). E uma dica: observe um casulo vazio em algum ponto da cena. Adam Warlock estará solto por aí?

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assinatura karen caires

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