Sétima arte #13: Simplesmente Feliz

Ficha Técnica:

Filme: Simplesmente Feliz/ Happy-Go-Lucky
Ano de Lançamento: 2008
Direção de Mike Leigh
Roteiro de Mike Leigh
Elenco: Sally Hawkins, Eddie Marsan, Alexis Zegerman, Andrea Riseborough, Sinead Matthews, Sylvestra Le Touzel, Samuel Roukin.
Duração/Gênero: 118 minutos/ Comédia

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Sinopse: Poppy é uma professora de escola primária que tem um problema: um otimismo incorrigível. O filme passeia, divertidamente, pela vida de Poppy, que diverge dessa sociedade contemporânea ansiosa e perturbada.

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Simplesmente Feliz

 

“Quantas vezes a gente, em busca da ventura, Procede tal e qual o avozinho infeliz: Em vão, por toda parte, os óculos procura, tendo-os na ponta do nariz!”

Mario Quintana

 

            A protagonista deste filme, Poppy, discordaria de olhos fechados do grandíssimo Vinicius de Moraes quando o mesmo diz que “Tristeza não tem fim, felicidade sim”. Para Poppy, lágrimas só se for de alegria e dor só se for no corpo. Não há espaço para tragédias e depressão. Poppy vive e vê o mundo de uma forma diferente, para alguns até surreal. Um aviso devo dar para os estressados e amargurados de plantão: esse filme vai causar uma urticária horrível. Toda essa correria do dia-a-dia, que por vezes, não nos permite enxergar as pequenas coisas que o mundo gentilmente tem a nos oferecer e nos deixam sempre atrasados, agoniados, aperreados, Poppy as enxerga muitíssimo bem. Acabamos por perder a frescura da natureza, o som dos pássaros, o colorido das árvores. Ficamos ligados nas buzinas, nos xingamentos, nos celulares, no relógio, cronometrando a tudo e a todos. Um dia, em meio à correria, li uma postagem de uma mãe no facebook. Ela dizia que sempre estava apressando as filhas quando iam a um parque, eram quinze minutos, somente; uma rotina que deveria ser seguida religiosamente; era uma diversão mecânica. Até que um dia ela se deu conta de que estava perdendo não só os raros momentos que tinha com as filhas, como estava perdendo a sua vida. Ela pensou: “Do que adiantava trabalhar, ganhar dinheiro e no final das contas não ver o crescimento das minhas filhas?”. Parafrasearei Poppy quando digo que o mundo em que insistimos (eu, você e a mãe) em sobreviver é uma loucura, mas quando resolvemos parar para viver, encontramos um oásis de calmaria. A questão em si, não é apreciar a natureza, mas sim a vida, e Poppy de Leigh sabe fazer isso melhor do que ninguém.

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            Poppy é uma professora de escola primária em Londres, que possui quase uma cortina cor-de-rosa nos olhos e enxerga tudo com bom-humor. Algumas vezes, Poppy parece que enxerga os outros com o olhar de uma criança; uma criança despreocupada, livre de obrigações, e da qual o único dever é a eterna diversão. Na cena inicial, Poppy sai da livraria e percebe que sua bicicleta foi roubada, seguindo a linha feliz da personagem, Poppy só solta uns “não, não, não” (como uma boa ariana, a minha reação seria a oposta da dela; provavelmente, eu daria uns chutes no poste e diria algumas palavras que não devem ser escritas aqui) e “Ah, não, nem tive a chance de me despedir”. O roubo da bicicleta não é um motivo para que Poppy fique cabisbaixa, muito pelo contrário, ela vê o lado positivo disso e, determinada, põe na cabeça que terá lições para aprender a dirigir.  É quando ela conhece o carrancudo instrutor da autoescola, Scott. Ao conhecer Poppy e provar um pouco do seu bom humor, Scott vê a sua vida virada do avesso por causa do choque de personalidade entre eles, e tenta com todas as forças possíveis e impossíveis fugir dessa menina-mulher, mas a tentativa não adianta muito.

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            O filme pode até parecer um clichê de comédia romântica que já cansamos de ver em Hollywood. Mas não é. Nas mãos de Mike Leigh, o filme torna-se natural pelos personagens que não são rasos emocionalmente, e não há exageros nas atuações (Sally Hawkins, que entrega uma de suas melhores atuações; uma das maiores injustiças do Oscar 2009 foi ter esnobado Sally). Como um filme independente, o algo a mais é a história, que nesse caso é contada sem grandes voltas; a intenção real foi mostrar que há algo de cômico em qual direção nós, terráqueos, estamos levando as nossas vidas. É claro que ninguém pode ser como Poppy em todos os momentos da vida: feliz o tempo inteiro. Isso seria uma visão utópica da vida. Mas devemos tirar algo, sim. Uma das funções da arte é a de ser didática, e nesse filme o ensinamento que deve ficar é o de que talvez o melhor seja, em determinadas situações, suavizar o nosso olhar para com o mundo, e deixar o barco nos guiar um pouco, sem essa loucura de remar o tempo inteiro, esperando sempre chegar em um determinado lugar, a uma determinada hora. Talvez, por alguns instantes, devêssemos ser simplesmente felizes.

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TRAILER DO FILME:

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assinatura maria

 

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