Universo Paralelo #12: Resenha Quem é você, Alasca? (9/10)

Quem é Você, Alasca? é o último livro estrangeiro na minha lista do Desafio de Férias #EuLeioNacionais. Trata-se também do livro de estreia de John Green, autor de A Culpa é das Estrelas, Teorema Katherine e Cidades de Papel. Famoso por seus vídeos com seu irmão, seus livros são voltados para o público jovem e alcançaram grande sucesso nos últimos anos.

Assim como A Culpa é das Estrelas, Quem é Você, Alasca? vai ser adaptado para os cinemas, sendo que Sarah Polley foi confirmada para escrever e dirigir a adaptação, e os direitos pertencem à Paramount. Já a FOX fará a adaptação de Cidades de Papel, e Nat Wolff (o Isaac de A culpa é das estrelas) foi confirmado no papel do protagonista, Quentin.

.

looking for alasca

 .

   Livro: Quem é Você, Alasca? (2010)
   Looking For Alasca (2005)
   Autor: John Green
   Editora: WMF Martins Fontes
   Páginas: 240
   Skoob: 4,3

 .

.

.

.

.

.

Sinopse

Miles Halter é um adolescente fissurado por célebres últimas palavras que, cansado de sua vidinha pacata e sem graça em casa, vai estudar num colégio interno à procura daquilo que o poeta François Rabelais, quando estava à beira da morte, chamou de o “Grande Talvez”. Muita coisa o aguarda em Culver Creek, inclusive Alasca Young, uma garota inteligente, espirituosa, problemática e extremamente sensual, que o levará para o seu labirinto e o catapultará em direção ao “Grande Talvez”.

 .

*************************

.

Quem é Você, Alasca? (ou Looking for Alasca, que para mim soa muito melhor, não me perguntem por quê) foi o livro de estreia de John Green, lançado em 2005 e vencedor do Michael L. Printz Award em 2006, prêmio de excelência em literatura YA (young adults, ou jovens adultos). Esse é o segundo livro de John Green que leio, sendo o primeiro o já famoso A Culpa é das Estrelas. No entanto, comecei a lê-lo sem muitas expectativas (e felizmente, eu estava errada).

A história é contada pelo ponto de vista de Miles Halter, em primeira pessoa. Miles é um garoto de 16 anos que vive na Flórida e tem uma vida sem muitos acontecimentos. Bem isolado, Miles não tem amigos e seu hobbie é colecionar últimas palavras de pessoas famosas, por isso ele lê muitas biografias (Nesse ponto, a obra tem um toque autobiográfico, já que John Green tinha esse hobbie). Em busca de seu “Grande Talvez”, termo que está presente nas últimas palavras do poeta François Rabelais: “Saio em busca de um Grande Talvez”, ele se muda para o Alabama para estudar em um colégio interno, o mesmo que seu pai e outros membros de sua família estudaram. A escola para o qual ele se muda é Culver Creek, e ele terá de dividir o quarto com um garoto baixinho chamado Chip. Chip tem o apelido de Coronel, e tem uma amiga chamada Alasca, que é o grande instrumento de mudança na vida de Miles (que ganha o apelido de Gordo, uma ironia por ser alto e magro).

Um dos aspectos mais interessantes dessa obra é a forma como os capítulos são iniciados: o nome de cada capítulo é como uma contagem regressiva até um dia específico, seguido de “antes”, o que cria certa curiosidade quanto ao significado desse fato. Após esse evento, a contagem dos dias continua, só que seguida de “depois”. (Uma dica: reparem na contagem no início e no final do livro. Só uma dica.) Sem querer revelar muita coisa (é muito difícil falar desse livro sem dar spoilers, acreditem), esse grande acontecimento acontece no meio da história, e é bem surpreendente. Desse modo, é possível ver suas prováveis causas e as consequências geradas.

Acredito que o grande trunfo do livro seja justamente sua simplicidade. A trama não é muito complexa, nem cheia de plot twists, a narrativa flui bem, e no geral é fácil de ser lido. No entanto, o que está por trás daqueles acontecimentos que parecem pequenos, do relacionamento entre os personagens e de suas atitudes é que torna esse livro diferente dos demais. Os personagens são adolescentes comuns, cada um com sua realidade, seu passado, e são feitos de uma forma bem honesta. Não são mostrados para que os leitores necessariamente se encantem com eles, numa idealização juvenil, mas que tentem entendê-los, conhecê-los. São bem construídos por sinal, e têm personalidades conflitantes, erram, têm seus altos e baixos, pois é assim que as pessoas são. O núcleo principal é constituído por Miles, Chip (seu colega de quarto, o Coronel), Alasca, Takumi (um asiático de que Miles também se torna amigo) e Lara (uma romena que namora Miles por um tempo). Eles são bons alunos, estudam e se esforçam, assim como fumam e tem suas noites de bebedeira. Como pivô desses comportamentos, está a verdadeira protagonista: Alasca. Em toda a sua complexidade, ela consegue ser inteligente, esperta e sagaz (e tem o que todos nós queremos: uma biblioteca em seu quarto), assim como rebelde e impulsiva, tem seus momentos de depressão, mistério e desespero, e pode ser egoísta e mal-humorada. Em sua montanha russa de emoções e comportamentos conflitantes, Alasca, com sua alegria contagiante e seus trotes bem espertos (que eles adoram fazer, a propósito), encanta e revolta aqueles que estão à sua volta. Entre eles, está Miles, que assim como todos, a conhece, mas não a entende por completo. Ele acaba se apaixonando por ela, apesar de ela ter um namorado que mora em outro estado, e idealiza um romance com ela, assim como uma “Alasca ideal”, embora ele a conheça e saiba que ela esconde segredos e tenha tantos comportamentos diferentes. Mas juntamente com ela e com os outros, ele vivencia o que é quebrar as regras, cria amizades e fortalece laços, apesar de nem sempre ser simples aceitar o que os outros pensam e o que eles fazem. Miles, que é filho único e passa a morar longe dos pais pela primeira vez, começa a entender o valor da família, das amizades, e a sair um pouco de seu universo idealizado para lidar com as outras pessoas.

Quem é Você, Alasca? é um livro para os jovens, mas se diferencia de outros do mesmo gênero por fugir dos clichês românticos e dos enredos óbvios. Com toda a sua sinceridade e sagacidade, Green consegue transformar uma proposta despretensiosa em uma obra notável pela mensagem bem construída e inteligente para seu público jovem, com reflexões honestas e valiosas, até mesmo para quem não está inserido nesse público-alvo.

 .

Passamos a vida inteira no labirinto, perdidos, pensando em como um dia conseguiremos escapar e em quanto será legal. Imaginar esse futuro é o que nos impulsiona para a frente, mas nunca fazemos nada. Simplesmente usamos o futuro para escapar do presente.

 .

Nota do livro: 4/5

.

De um jeito despretensioso inicialmente, surpreende pela construção bem feita de seus personagens e pela mensagem interessante que carrega, sendo envolvente mesmo não tendo uma trama muito complexa.

.

.

assinatura karen caires

Anúncios

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s