Universo Paralelo #11: Resenha Série O Guia do Mochileiro das Galáxias (4-8/10)

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Não entre em pânico. Essa é a minha dica para aqueles que pretendem ler a série que mistura ficção científica e humor de um jeito único.

O inglês Douglas Adams escreveu O Guia do Mochileiro das Galáxias inicialmente como uma série para rádio, que foi transmitida pela BBC Radio 4 em 1978. Em 1979, Adams escreveu o primeiro volume, que leva o nome da série, e terminou sua “trilogia de cinco” em 1992. Com mais de quinze milhões de cópias vendidas em todo o mundo e traduzida para mais de 30 idiomas, a série de livros alcançou um sucesso inimaginável, e foi adaptada para outras plataformas (série de TV, filme, quadrinhos) e se tornou um ícone da cultura pop.

A história é cheia de reviravoltas, situações absurdas e personagens imprevisíveis. Adams divaga em suas narrativas, e por vezes até confunde, mas tudo de um jeito tão cômico e irônico que se torna parte de sua escrita peculiar.

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   Livro: O guia do mochileiro das galáxias

   Autor: Douglas Adams

   Editora: Arqueiro

   Páginas: 160

   Skoob: 4,3

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Sinopse

Arthur Dent tem sua casa e seu planeta (sim, a Terra) destruídos em um mesmo dia, e parte pela galáxia com seu amigo Ford, que acaba de revelar que na verdade nasceu em um pequeno planeta perto de Betelgeuse.

Considerado um dos maiores clássicos da literatura de ficção científica, este livro vem encantando gerações de leitores ao redor do mundo com seu humor afiado. Este é o primeiro título da famosa série escrita por Douglas Adams, que conta as aventuras espaciais do inglês Arthur Dent e de seu amigo Ford Prefect. A dupla escapa da destruição da Terra pegando carona numa nave alienígena, graças aos conhecimentos de Prefect, um E.T. que vivia disfarçado de ator desempregado enquanto fazia pesquisa de campo para a nova edição do Guia do Mochileiro das Galáxias, o melhor guia de viagens interplanetário. Mestre da sátira, Douglas Adams cria personagens inesquecíveis e situações mirabolantes para debochar da burocracia, dos políticos, da “alta cultura” e de diversas instituições atuais. Seu livro, que trata em última instância da busca do sentido da vida, não só diverte como também faz pensar.

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   Livro: O restaurante no fim do universo

   Autor: Douglas Adams

   Editora: Arqueiro

   Páginas: 176

   Skoob: 4,2

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Sinopse

O que você pretende fazer quando chegar ao Restaurante do Fim do Universo? Devorar o suculento bife de um boi que se oferece como jantar ou apenas se embriagar com a poderosa Dinamite Pangaláctica, assistindo de camarote ao momento em que tudo se acaba numa explosão fatal? A continuação das incríveis aventuras de Arthur Dent e seus quatro amigos através da galáxia começa a bordo da nave Coração de Ouro, rumo ao restaurante mais próximo. Mal sabem eles que farão uma viagem no tempo, cujo desfecho será simplesmente incrível. O segundo livro da série de Douglas Adams, que começou com o surpreendente “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, mostra os cinco amigos vivendo as mais inesperadas confusões numa história cheia de sátira, ironia e bom humor. Com seu estilo inteligente e sagaz, Douglas Adams prende o leitor a cada página numa maravilhosa aventura de ficção científica combinada ao mais fino humor britânico, que conquistou fãs no mundo inteiro. Uma verdadeira viagem, em qualquer um dos mais improváveis sentidos.

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   Livro: A vida, o universo e tudo mais

   Autor: Douglas Adams

  Editora: Arqueiro

  Páginas: 160

  Skoob: 4,1

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Sinopse

Após as loucas aventuras vividas com seus estranhos amigos em “O Guia do Mochileiro das Galáxias” e “O Restaurante no Fim do Universo”, Arthur Dent ficou cinco anos abandonado na Terra Pré-Histórica. Mesmo depois de tanto tempo, ele ainda acordava todas as manhãs com um grito de horror por estar preso àquela monótona e assustadora rotina. Talvez Arthur até preferisse continuar isolado em sua caverna escura, úmida e fedorenta a encarar a próxima aventura para a qual seria forçosamente arrastado: salvar o Universo dos temíveis robôs xenófobos do planeta Krikkit.

Este é o terceiro volume da “trilogia de cinco” de Douglas Adams, um dos mais cultuados escritores de ficção científica de todos os tempos. Seu humor corrosivo e sua habilidade em criar situações improváveis tornam seus livros indispensáveis para qualquer um que tenha capacidade de debochar de si mesmo.

Usando o planeta Krikkit como paródia da nossa sociedade e das guerras raciais, Adams cria uma história divertida, inteligente e repleta dos mais inusitados significados sobre a vida, o universo e tudo mais.

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4.

   Livro: Até mais, e obrigado pelos peixes!

   Autor: Douglas Adams

   Editora: Arqueiro

   Páginas: 144

   Skoob: 4,1

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Sinopse

Depois de oito anos vagando pelos mais insondáveis cantos da Galáxia, Arthur Dent está de volta à Terra, e tudo parece estranhamente normal. Todas as coisas estão em seus devidos lugares – sua casa, seu emprego, seu planeta –, e é justamente por isso que ele começa a desconfiar de que, ou ficou completamente maluco e tudo não passou de uma grande alucinação, ou algo de muito mais estranho do que viagens espaciais a bordo de naves alienígenas poderia estar acontecendo. Em busca de respostas que possam explicar não só como a Terra poderia continuar a existir – já que ela havia sido destruída para dar passagem a uma estrada interplanetária anos antes –, mas também por que tudo estava absolutamente igual ao que era, exceto pelo misterioso desaparecimento dos golfinhos, Arthur começa uma nova jornada.

Uma das poucas pessoas que poderiam ajudá-lo a compreender toda a história é Fenchurch, uma linda garota que tem surtos psicóticos desde que teve uma revelação transcendental sobre o porquê de as coisas darem sempre tão errado para os humanos.

Decididos a encontrar a verdade, Arthur e sua nova companheira tentam descobrir se a CIA é mesmo a responsável por tudo, produzindo alucinações coletivas ao testar uma nova arma química, embora não acreditem nem um pouco nessa versão. Juntos, Arthur e Fenchurch vivem um grande, profundo e divertido amor, cheio de beleza e poesia, mas repleto das mais inusitadas situações, enquanto procuram o motivo de tanta confusão.

Teriam os dois imaginado tudo aquilo? Mas, então, onde estariam os golfinhos? E o que queriam dizer com a mensagem “Até mais, e obrigado pelos peixes!”? Isso é o que você e Arthur Dent estão prestes a descobrir!

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5.

   Livro: Praticamente inofensiva

   Autor: Douglas Adams

   Editora: Arqueiro

   Páginas: 192

   Skoob: 4,0

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Sinopse

Os anos mais conturbados como um viajante solitário já haviam passado. Arthur Dent se resignara à nova condição e se acostumara à vida pacata e relativamente feliz como Fazedor de Sanduíches em Lamuella. Conquistara até um certo prestígio junto aos habitantes locais e fazia disso um bom argumento para continuar por lá.

Ao mesmo tempo, Ford Prefect via-se num conflito profissional ocasionado pela repentina venda do Guia do Mochileiro das Galáxias para outra editora. Sem compreender o funcionamento do novo Guia – que passara a se “comportar” de forma estranha – e não gostando nem um pouco de seu novo cargo como crítico de restaurantes, Ford se mete em alucinantes roubadas para não sair prejudicado (e para obter algum lucro, é claro).

Em outro ponto do Universo, Tricia McMillan havia feito fama intergaláctica como repórter e levava uma rotina razoavelmente satisfatória, até um pequeno planeta chamado Rupert ser descoberto e tudo começar a dar estranhamente errado em sua vida.

Espalhados pelos mais insondáveis cantos da Galáxia, Arthur, Ford e Tricia iam tocando suas vidas da melhor forma que podiam, mas tudo se complica novamente quando eles se reencontram. Tentando manter a sanidade e salvar a si mesmos, eles acabam assistindo juntos ao inevitável destino da Terra. Com reviravoltas surpreendentes, Praticamente Inofensiva traz aguardadas respostas, lança novas perguntas e, acima de tudo, faz o leitor lamentar o fim da saga de Dent e seus companheiros.

Com um novo olhar sobre seu próprio trabalho, Douglas Adams amadureceu os personagens e a habilidade de criar situações cômicas para criticar a sociedade. Ele se aproveita da trama para discutir as relações de trabalho, as políticas corporativas, as questões éticas da modernidade e as novidades tecnológicas. Mas ainda consegue superar sua capacidade de nos fazer rir de nossas próprias atitudes.

Usando e abusando da mesma imaginação ilimitada que demonstra nos livros anteriores, Adams apresenta em Praticamente Inofensiva uma Mistureba Generalizada de Todas as Coisas que fizeram da coleção um grande sucesso ao redor da Borda Ocidental desta Galáxia.

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Começar a ler algo tido como um ícone da cultura pop exige a criação de certa expectativa, claro. E O Guia do Mochileiro das Galáxias conseguiu me surpreender, e é de fato diferente de tudo que já li. É claro que essa peculiar série de livros (acredito que Adams teria achado essa palavra apropriada) é controversa por suas mirabolantes histórias e pelo estilo de escrita bem particular de seu autor. Para mim, felizmente foi uma boa surpresa.

O que você acharia de acordar em um dia qualquer, descobrir que sua casa seria demolida, e mais tarde, seu próprio planeta? Essa é só uma das incontáveis situações inusitadas que permeiam os cinco livros da série, e basicamente ditam o ritmo da narrativa.

Os principais personagens que estão envolvidos na maioria desses momentos são Arthur Dent, o inglês que viveu esse azarado dia descrito acima, Ford Prefect, seu amigo que ele depois descobre ser um alienígena de um planeta próximo a Betelgeuse, Zaphod Beeblebrox, o Presidente da Galáxia, Trillian, uma garota também da Terra que Arthur conheceu em uma festa e Marvin, um robô deprimido. Envolvidos sempre em confusões, cativantes, meio malucos e bem irônicos, os personagens de Adams são um dos pontos fortes de sua obra. Totalmente imprevisíveis, conseguem ser fascinantes pela personalidade única que apresentam. Destaco aqui Marvin, um robô de grande inteligência, mas bastante depressivo, que com seu jeito sarcástico e pessimista compõe vários dos momentos mais engraçados da história.

Intercalando as aventuras de seus personagens, trechos do Guia do Mochileiro das Galáxias (o guia para viajantes que dá nome à série, e para o qual Ford trabalha) e eventos aleatórios (alguns, apenas parecem ser aleatórios) em outros planetas, a narrativa é cheia de reviravoltas, viagens espaciais e desfechos inesperados. Um jeito meio louco de desenvolver um livro, arrisco dizer. Mas o mais interessante é que esse ritmo que parece ser meio confuso no início é parte do diferente estilo de Adams de conduzir a história, algo que aos poucos fui me adaptando, e mais: achando até divertido.

Um dos pontos nos quais o enredo se desenvolve é a perspicácia de Adams, o que torna esses livros tão inteligentes. A história está cheia de ironias e críticas ao modo como vivemos e aos elementos cotidianos, tudo de uma forma bem-humorada e personificada principalmente nos costumes que Arthur carrega em suas inúmeras viagens pela Galáxia. Com o que ele mesmo cita ser “um humor inglês autodepreciativo”, o sarcasmo com que o autor descreve situações e comportamentos da nossa sociedade é feito de forma bem colocada e cômica. Tudo isso, claro, misturado a reflexões sobre a vida, matemática, e ficção científica, com explicações bem detalhadas por vezes da ciência envolvendo os acontecimentos descritos. As descrições dos locais, dos povos e das tecnologias das galáxias retratadas são bem cômicas e imaginativas, sendo muito criativas. As linguagens e os nomes dos diversos aparelhos tecnológicos representam bem esse aspecto, além das estranhas culturas de alguns povos, bem engraçadas por sinal.

Analisando os livros separadamente, diria que os dois primeiros são meus preferidos. Com participação intensa dos cinco personagens principais, situações bem malucas e muito humor, representam o que mais gostei em toda a série. Os outros três, apesar de apresentarem críticas mais afiadas e terem ótimos momentos, já focam mais em alguns personagens e por vezes a narrativa se prolonga de forma cansativa, oscilando mais em termos de se manter envolvente e entreter o leitor, sendo os mais controversos entre o público, afinal. No entanto, não representaram uma decepção: toda obra tem seus defeitos, e nesse caso, acredito que não tiram os méritos da série como um todo.

 

“Um dos maiores problemas encontrados em viajar no tempo não é vir a se tornar acidentalmente seu próprio pai ou mãe. Não há nenhum problema em tornar-se seu próprio pai ou mãe com que uma família de mente aberta e bem ajustada não possa lidar. Também não há nenhum problema em relação a mudar o curso da história – o curso da história não muda porque todas as peças se juntam como num quebra-cabeça. Todas as mudanças importantes já ocorreram antes das coisas que deveriam mudar e tudo se resolve no final. O problema maior é simplesmente gramatical.”

 

Seria muita presunção minha dizer que esses são livros para um público muito amplo. Afinal, a história é tão única, tão diferente, que você pode achar confusa, sem sentido, ou pode achar genial. Misturar ficção científica e humor bem irônico não é uma tarefa fácil, e no final das contas, como todo livro (e na vida, por que não?), é uma questão de gosto. Mas para aqueles que apreciarem essa obra, espero realmente que se divirtam, com as situações, com os personagens, com os ótimos diálogos. E, se aceitar o desafio, tente entender porque a Resposta à Grande Questão da Vida, do Universo e Tudo Mais é 42. Boa sorte, mochileiro.

“O tempo é uma ilusão. A hora do almoço é uma ilusão maior ainda.”

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Nota da série: 4,5/5

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Uma história fascinante e perspicaz, com personagens divertidos, críticas bem-humoradas e inteligentes e um estilo único de escrita, tudo de um jeito bem imaginativo e meio louco.

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Douglas Adams faleceu em 2001, e com a autorização de seus herdeiros, foi escrito por Eoin Colfer um sexto volume para a série intitulado “E Tem Outra Coisa…”. Com novos destinos e aventuras para os personagens principais da série original, seguindo o estilo de Adams. Por não ter lido este, na resenha comentei apenas sobre a série original.

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Esta resenha faz parte do Desafio de Férias #EuLeioNacionais. Clique aqui para saber mais.

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assinatura karen caires

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