[Sétima arte #11] Pequena Miss Sunshine

FICHA TÉCNICA:

Filme: Pequena Miss Sunshine
Ano de Lançamento: 2006
Direção de Jonathan Dayton e Valerie Faris
Roteiro de Michael Arndt
Elenco: Greg Kinnear, Toni Collette, Alan Arkin, Steve Carell, Paul Dano, Abigail Breslin e Bryan Cranston.
Duração/Gênero: 101 minutos/ Comédia; Drama

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            Ah, a família… Que instituição maravilhosa! Atire a primeira pedra quem nunca falou ou escutou a seguinte frase “família só é bom em porta retrato” ou “família perfeita só em foto”. Se você nunca escutou ou falou, não se preocupe: você vai. A questão aqui não é amargura: toda família tem suas desavenças e suas intrigas particulares que muitas vezes basta passar um demaquilantezinho e voilá: escondida as imperfeições. Mas, é claro, que essa asserção não é universal, e como em toda regra há exceções, na regra familiar também existe. Veja, não faz muito tempo que eu escutei alguém dizer que a família de certo fulano era muito unida, e que só viajavam juntos. E de carro.  Fiquei espantada, pensei: “Nossa, como eles conseguem? Já passam todos os dias juntos e ainda viajam de carro. Juntos.” Mas, nem toda família taca pedra à toa, algumas sabem lidar com as diferenças, por mais discrepantes que essas sejam. E é nessa vibe família-louca-que-viaja-de-carro-vivendo-altas-aventuras que Pequena Miss Sunshine percorre a estrada. 

            Pode-se interpretar esse filme de várias formas, e taí uma coisa boa nele: gerar várias reflexões importantes. Optei por começar falando sobre a família, de um modo geral, porque no filme de Jonathan e Valerie é essa instituição que rege a história. Mas, o debate pode girar em torno do duo perda/vitória (A aceitação da perda – tanto a perda de alguém como a perda de um sonho que escapou por entre os dedos – e a busca pela vitória e seus doces sabores); Ou de como se instaura um vazio sobre a imagem da criança que é induzida a fantasiar com um tipo de modelo social, um tipo de beleza e pensar que só será aceita se for assim ou assada.

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1.

            O filme começa mostrando a rotina de todos os integrantes da família Hoover: A primeira a aparecer num big close é a (fofinha) Oliver com um olhar petrificado para uma miss que acabou de ganhar um concurso que passa na televisão. A menina pega o controle e volta à cena. O olhar de admiração continua e dessa vez a menina começa a imitar os trejeitos da miss americana; A cara de surpresa por ganhar o concurso e as mãos levadas para cada lado do rosto. Já em outro plano, Richard, o fracassado otimista, aparece vendendo o seu “programa motivacional” que contém nove passos e promete ao final tornar a pessoa um verdadeiro vencedor. Mas, na plateia (se muito) tem oito pessoas. E depois segue a rotina de Dwayne, um jovem introspectivo, roqueiro filósofo, que é fissurado pela ideia de entrar na Força Aérea e para isso faz um voto de silêncio até conseguir. Em seguida é a vez do avô hedonista Edwin, viciado em heroína. A mãe apaziguadora, Sheryl, toma o lugar, e aparece falando ao telefone e fumando. E por último, o tio suicida gay que se diz o maior conhecedor de Proust.

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2

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            E aí vem uma das melhores cenas: A cena do jantar em família. Tudo que eu falei na primeira parte sobre família remete a esta cena. Uma cena que bem poderia fazer parte de qualquer novela das nove, em que todos se sentam à mesa e os assuntos surgem naturalmente e consequentemente as pequenas discussões. Tantos os movimentos dos atores quantos os diálogos soam tão naturais, que mais parece que você sentou a mesa com a sua família e está assistindo tudo de longe. Pequena Miss Sunshine vence aí: na naturalidade do filme independente; na inocência, sem grandes pretensões de ser e/ou aparecer.

            Ainda durante o jantar, um recado deixado pela irmã de Sheryl muda o rumo da história da família Hoover: Oliver que tinha ficado em segundo lugar no concurso da Pequena Miss Sunshine, agora tem a chance de realizar seu sonho, e tudo porque a vencedora desistiu da coroa e restou uma vaga para o concurso estadual e a menina tem a chance de disputar. Em meio a uma tremenda confusão, a família decide que todos irão, por fim, juntos à Califórnia para levar Oliver. Porém, como a situação financeira está horrorosa, o que resta é fazer uma viagem de Kombi. Tudo isso ocorre nos vinte primeiros minutos do filme, o resto é a aventura da família pela estrada.

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3

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            Foram necessários cinco anos para que Pequena Miss Sunshine pudesse alçar voo. Um dos milhares de filmes independentes desta década que com sua fórmula aparentemente simples, conquistou não só o público, mas também a crítica especializada, angariando dois prêmios da maior premiação do cinema mundial: dois Oscars; um para melhor roteiro original e outro para Alan Arkin, como melhor ator coadjuvante.  Além das indicações de melhor filme e melhor atriz coadjuvante para a garotinha que cativou o público, Abigail Breslin. Com bons atores e uma boa história é possível que um diretor possa sonhar longe, mesmo que sem dinheiro e atravessando todas as dificuldades, assim como a família Hoover. É possível, e Pequena Miss Sunshine nos ensinou que pequenos sonhos podem sim se tornar realidade. E realidade das boas.

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TRAILER DO FILME:

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TRILHA SONORA  DO FILME

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assinatura maria

 

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