Sétima Arte #7: A pequena loja de suicídios

FICHA TÉCNICA

 

Filme: A Pequena Loja de Suicídios
Ano de Lançamento: 2012
Direção de Patrice Leconte
Roteiro de Patrice Leconte baseado na obra de 2007 do escritor Jean Teulé.
Elenco: Bernard Alane, Isabelle Spade, Kacey Mottet Klein, Isabelle Giami e Laurent Gendron.
Duração/ Gênero: 1h 25 minutos/ Animação; Comédia; Musical.

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“Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o doloroso afã…
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!”

(Álvares de Azevedo,
Trecho do poema Se eu morresse amanhã)

 

 

 

            Uma vez, em uma conversa, alguém soltou “os franceses são o oposto dos brasileiros”. Em um bar francês, pode-se notar a olhos nus o estrangeiro: aquele que não fala cochichando ou que gesticula enquanto fala; o francês é aquele que sussurra como se contasse um segredo. O francês não acena, não é filho da cultura brasileira do toque (aquela mania ma-ra-vi-lho-sa que a maioria de nós brasileiros tem de tocar bastante, beijar, abraçar, segurar a mão, tocar no ombro e etc.), quanto mais toque, mais o brasileiro gosta de você. Pois bem, esse mesmo alguém me disse que no inverno francês a taxa de depressão aumentava (!), no momento em que vi “A pequena loja de suicídios” essa frase voltou à minha mente. Patrice Leconte, o diretor, talvez tenha conseguido, com muito bom humor e desfaçatez, transpor esse mito dos franceses na sua animação “A pequena loja de suicídios”.

            A animação é um musical (parecido com outro filme de animação: A noiva cadáver, de Tim Burton) que utiliza uma dose de veneno para contar a história de uma pequena cidade cinzenta que se arrasta no caótico trânsito citadino e melancólico, onde as pessoas sem esperanças nem planos futuros se jogam na frente do primeiro carro que passar. Mas (porém, entretanto, todavia), é proibido pelo governo local o suicídio em locais públicos, e se o dito cujo se suicida em um local público a família tem que pagar pelo suicídio do fulano ou pior o próprio fulano paga se o suicídio não for bem sucedido. O único comércio que prospera nessa cidade depressiva é a Casa Tuvanche, a loja de artigo para os suicidas, um negócio secular que é administrado pelo excêntrico Mishima e pela sua mulher Lucrèce e seus dois filhos: Marilyn (em uma cena do filme a Marilyn depressiva de Leconte transforma-se naquela outra Marilyn do vestido esvoaçante que nós tanto conhecemos) e seu filho Vincent. O negócio estava indo as mil maravilhas até a chegada do terceiro filho Alan, que para a morte dos pais, já nasceu sorrindo e espalhando a felicidade naquele ambiente mórbido e tristonho através de caixas de som e dos seus olhos brilhantes.

            Aos 65 anos de idade, o experiente diretor francês Patrice Leconte decidiu se aventurar pelo mundo da animação: “Para alguém em fim de carreira, a animação é perfeita. Sem encheção de saco, os atores sabem o texto de cor, não existem problemas com o clima, é ótimo”. O filme não sofre do trauma de “curta que acidentalmente virou longa metragem”, todos os minutos em tela são extremamente necessários e não são enfadonhos, seus números musicais são irônicos e bastante divertidos, porém, talvez (e realmente talvez), a única coisa que eu mudaria seria o final do filme que deixou a desejar, muito aquém do resto do filme, mas, parafraseando uma das sequências musicais: “Não há nada a dizer/ Viva o suicídio”. Ou A pequena loja de suicídios.

 

 

Trailer do filme: 

 

 

Link do filme na íntegra (Legendado):

 

assinatura maria

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