Universo Paralelo #8: Resenha O Cavaleiro dos Sete Reinos

Título: O Cavaleiro dos Sete Reinos – Histórias do Mundo de Gelo e Fogo
Autor: George R. R. Martin
Lançamento: 2014 (no Brasil)
Editora: LeYa
Páginas: 416

 

 

 

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Sinopse

Duzentos anos após a Conquista, a dinastia Targaryen vive seu auge. Os Sete Reinos de Westeros atravessam um tempo de relativa paz, nos últimos anos do reinado do Bom Rei Daeron.

É neste cenário que Dunk, um menino pobre da Baixada das Pulgas, tem uma chance única: deixar a vida miserável em Porto Real para se tornar escudeiro de um cavaleiro andante.

Quando adulto, o cavaleiro morre e Dunk decide tomar seu lugar e fazer fama no torneio de Campina de Vaufreixo.

É quando conhece Egg, um menino de dez anos, cabeça totalmente raspada, que é muito mais do que aparenta ser. Dunk aceita Egg como seu escudeiro e, juntos, viajam por Westeros em busca de trabalho e aventuras. Uma grande amizade nasce entre eles – uma amizade pela vida toda, mesmo quando, anos mais tarde, os dois personagens assumem papéis centrais na estrutura de poder dos Sete Reinos.

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“E, é claro, se o senhor algum dia resolver escrever qualquer outra coisa, mesmo que não queira publicar, eu adoraria ler. Para ser sincera, eu leria até a sua lista de compras de supermercado.”
John Green

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George R. R. Martin é um daqueles escritores que eu leria até a lista de compras do supermercado, e provou isso mais uma vez com O Cavaleiro dos Sete Reinos. Publicado pela editora Leya, ele é na verdade uma compilação de histórias escritas por Martin que foram lançadas ao longo dos anos nos EUA, e chegou ao Brasil esse ano. Com uma história envolvente e personagens cativantes, é leitura obrigatória para os fãs de As Crônicas de Gelo e Fogo e um bom jeito de conhecer Westeros para aqueles que não leram a série original.

A história se passa noventa anos antes dos eventos ocorridos em Guerra dos Tronos, ainda quando os Targaryen estavam no poder. Os três contos têm como protagonistas Dunk, um garoto da Baixada das Pulgas que foi escudeiro de um cavaleiro andante, e após sua morte, tomou seu lugar, e Egg, um garoto que Dunk conheceu em uma estalagem e o acompanha como escudeiro. Dunk é na verdade Sor Duncan, o Alto, notório cavaleiro que foi Senhor Comandante da Guarda Real do rei Aegon V, o Improvável. No entanto, vemos como ele começou sua jornada, quando ainda era jovem e se assume como cavaleiro após a morte de Sor Arlan de Centarbor, o velho cavaleiro do qual era escudeiro. E assim começa o primeiro conto, O Cavaleiro Andante. A caminho do torneio de Campina de Vaufreixo, ele conhece o garoto Egg, que insiste em ser seu escudeiro. Juntos, eles enfrentam os desafios da vida de um cavaleiro andante e acabam fazendo parte de um grande acontecimento da dinastia Targaryen.

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Já em A Espada Juramentada, que se passa mais de um ano depois dos acontecimentos do conto anterior, Dunk serve a um cavaleiro com terras muito orgulhoso, mas de poucas posses, um Osgrey da Campina. Movido pela fidelidade ao seu senhor, ele acaba se envolvendo em uma disputa pelas terras vizinhas, chamadas de Fosso Gelado. Após os acontecimentos em A Espada Juramentada, Dunk e Egg partem para o norte a fim de servirem os Stark, no entanto acabam decidindo participar de um torneio em Alvasparedes em virtude de um casamento. Inesperadamente, acabam descobrindo uma conspiração contra os Targaryen.

Apesar de acontecerem em períodos e locais diferentes, os três contos retomam o episódio da Rebelião Blackfyre, em que o herdeiro do trono e um filho bastardo do rei disputaram o direito de governar os Sete Reinos. Por meio de flashbacks de alguns personagens e de história ouvidas pelos protagonistas, é possível entender como ocorreu esse evento e o quanto ele mudou Westeros. “Você lutou pelo dragão vermelho ou pelo negro?” é uma pergunta citada várias vezes: os perdedores da rebelião, que lutaram pelo dragão negro, foram taxados de traidores, perderam terras e entregaram filhos como reféns, e as consequências se estenderam do primeiro ao último conto.

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Outro aspecto bem abordado foi o reinado da dinastia Targaryen, que não era um mar de rosas, a propósito. Afinal, os Targaryen geralmente têm personalidades bem extremistas: corajosos e justos, loucos e inconsequentes. No primeiro conto, o rei é Daeron, o Bom, vencedor da Rebelião Blackfyre e um rei pacífico. Já no terceiro, temos Aerys, um rei recluso e submetido às decisões de seu polêmico Mão do Rei, Lorde Corvo de Sangue. Também podemos entender como funcionava Westeros naquela época, as leis, os combates, a organização feudal, de uma forma natural, sem descrições exageradas, além de conhecer alguns dos personagens citados em As Crônicas de Gelo e Fogo dessa época. Em vários pontos da história acontecem justas e julgamentos por combate, e vemos como funcionam com mais detalhes esses acontecimentos.

Aqui destaco um dos pontos fortes não só desse livro, mas da escrita de Martin: os personagens. Cativantes, simpáticos, fortes, mas vulneráveis. Dunk, com sua simplicidade, admite sua ignorância em certos assuntos, mas defende os princípios que lhe foram ensinados e é um cavaleiro que leva a sério seu juramento. Dunk coloca a segurança dos mais fracos e a honra acima de sua própria vida, e com sua humildade e determinação, lembra Brienne de Tarth, uma raridade entre os corruptos cavaleiros de Westeros. Já Egg, que esconde alguns segredos, é ousado, cômico, mas indubitavelmente fiel a Dunk. Além disso, vários personagens importantes aparecem ao longo do livro: Baelor “Quebra-Lança” Targaryen, Aemon Targaryen (sim, o meistre Aemon que vive na Muralha em As Crônicas de Gelo e Fogo), Lorde Brynden Rivers, conhecido como Lorde Corvo de Sangue (presente em A Dança dos Dragões, o quinto livro da série, e que apareceu no último episódio da quarta temporada de Game of Thrones), entre outros. Os personagens criados por Martin são complexos, alguns têm um passado sombrio, e crescem, mudam ao longo da narrativa: erram, arriscam, são realistas, são humanos.

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A narrativa flui com facilidade e o enredo é bem desenvolvido. Para os fãs da série de livros, há vários easter eggs (referências, pistas) de As Crônicas de Gelo e Fogo e eventos e personagens icônicos que acrescentam bastante ao conhecimento sobre Westeros, inclusive melhorando o entendimento de assuntos não tão explorados nos livros principais. Uma dica: alguns dos personagens estão profundamente relacionados com a Tragédia de Solarestival, que matou o rei Aegon V e ocorreu no mesmo dia do nascimento do Príncipe Rhaegar Targaryen, irmão de Daenerys. Conexões surpreendentes como essa estão presentes em todo o livro. Para os fãs da série, ou aqueles que não conhecem nada da história, é um ótimo jeito de começar a entender o extremamente perigoso complexo continente de Westeros. Como o núcleo de personagens é menor que o da série principal e a abordagem é mais leve, é uma boa opção para se acostumar com o estilo de escrita de Martin.

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A edição que adquiri é em paperback (mais comum no Brasil), e tenho que admitir que a LeYa fez um ótimo trabalho. A capa, feita por Marc Simonetti, segue o nível de excelência que ele mostrou nas ilustrações das capas da série principal, e conta com belos detalhes e cores. As páginas amarelas e a fonte de bom tamanho facilitam bastante a leitura, porém não há divisão de capítulos, apenas entre os contos. Em geral, o acabamento é muito bem feito.

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Nota do livro: 5/5

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A narrativa flui com facilidade, a história é envolvente e os personagens cativantes e intrigantes. Uma leitura muito recomendada tanto para os fãs da série quanto para os iniciantes no mundo de Westeros.

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assinatura karen caires

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