Sétima Arte #6: 12 Anos de Escravidão

12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave) – 2013

Direção: Steve McQueen
Elenco: Chiwetel Ejiofor, Michael Fassbender, Lupita Nyong’o, Christopher Berry, Paul Giamatti, Benedict Cumberbatch, Paul Dano, Sarah Paulson, Brad Pitt.
Avaliação no IMDb: 8,2/10
Avaliação no Rotten Tomatoes: 97% de aprovação

Essa resenha faz parte do Projeto Vencedores do Oscar, para saber mais, clique aqui.

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Sinopse: 1841. Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor) é um escravo liberto, que vive em paz ao lado da esposa e filhos. Um dia, após aceitar um trabalho que o leva a outra cidade, ele é sequestrado e acorrentado. Vendido como se fosse um escravo, Solomon precisa superar humilhações físicas e emocionais para sobreviver. Ao longo de doze anos ele passa por dois senhores, Ford (Benedict Cumberbatch) e Edwin Epps (Michael Fassbender), que, cada um à sua maneira, exploram seus serviços.

 

 

12 Anos de Escravidão foi o grande vencedor do Oscar 2014 e eu assisti a esse filme alguns dias depois da cerimônia porque fiquei bastante curiosa.

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A história de 12 Anos de Escravidão é verídica, escrita por Solomon Northup, pai de família, violinista talentoso, inteligente e letrado. Outra característica importante de Northup: era negro nascido livre no norte dos Estados Unidos e vivia em Saratoga, no estado de Nova York, local em que a escravidão era proibida. Seu livro 12 Years a Slave, publicado em 1853, é um livro de memórias sobre o período em que Northup fora sequestrado, contrabandeado para o estado escravagista da Louisiana e vendido como mercadoria. Durante mais de uma década (1841 – 1853) fora submetido ao trabalho escravo em diferentes fazendas, nas plantações de cana e algodão.

Antes de mais nada é importante que a gente compreenda como foi a escravidão nos Estados Unidos. Em alguns estados a escravidão era proibida. O norte do país era industrializado, desenvolvido e abolicionista. O sul era agrário e dependia da mão de obra escrava. Quando Abraham Lincoln, presidente dos EUA, começou a defender a abolição da escravatura no país, o sul decidiu separar-se, dando início a uma guerra civil (1861 – 1865).

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O diretor do filme, Steve McQueen, é descendente de escravos do Caribe e sempre teve em mente a realização de um projeto sobre a escravidão nos Estados Unidos. Após algumas pesquisas sugeridas pela sua esposa, a historiadora Bianca Stigter, McQueen conheceu a obra de Northup e se encantou com o relato. A partir daí, pôs em prática seu projeto. O resultado foi um longa-metragem excelente, mas torturante, com um elenco maravilhoso e a estatueta de Melhor Filme.

Apesar de ser quase impossível não chorar, 12 Anos de Escravidão não foi realizado com esse objetivo, ou seja, não possui um caráter melodramático. O trabalho é bastante sério e “cru”, levando-nos a refletir sobre uma época sombria da história da humanidade e a questionar sobre a atualidade do tema.

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A primeira cena do filme já nos causa um extremo desconforto: um capataz explica aos escravos negros como a colheita de cana deve ser feita e, para complementar o trabalho, a obrigatoriedade de uma canção. Então, além de trabalhar, os escravos devem cantar “alegremente” ao realizar a tarefa. Após isso, somos apresentados ao ambiente da senzala e à lindíssima trilha sonora de Hans Zimmer, momento em que percebemos: assistir a esse filme “não vai ser fácil”.

Algumas cenas são simplesmente desesperadoras.   Uma que, particularmente, me deixou arrepiada foi a de Northup dando-se conta de que havia sido enganado e sua tentativa de convencer aqueles homens de que ele era realmente um homem livre. Outra cena que nos causa raiva é a do enforcamento. São vários segundos (ou minutos?) em que escutamos a respiração do escravo e o roçar de seu calçado na lama, a fim de evitar a morte. É horrível.

 

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A atuação de Chiwetel Ejiofor é espetacular. O sentimento de desamparo, a dor, a impossibilidade de ajudar e ser ajudado, o vazio, a luta para sobreviver e a esperança de ser livre novamente são traduzidos pelo ator com grande competência.

Michael Fassbender também nos presenteia com uma excelente performance como o senhor de escravos Edwin Epps. Fassbender me impressionou com esse personagem repressor, que parecia ter prazer em torturar seus escravos. Sua relação de posse e desejo com a escrava Patsey foge daquilo que a televisão brasileira costuma mostrar: não há, em momento algum, um flerte entre o senhor e a escrava (ainda bem!). O que aparece é Edwin Epps “usufruindo” de suas posses. Quando ele deseja, vai à senzala e a estupra. Quando ele deseja, acorda os escravos para dançar para ele no meio da noite. Quando ele deseja, castiga seus escravos.

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Não poderia deixar de comentar sobre a atuação de Lupita Nyong’o, a ganhadora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Apesar das poucas falas, Lupita deu um show de interpretação. Sofri demais com o seu olhar para o vazio de um futuro sem esperanças. O desespero e a dor de Patsey são exemplos de uma realidade que jamais vamos compreender. As súplicas da personagem são comoventes.

O final é muito emocionante e triste. Apesar de Solomon Northup ter conseguido novamente sua liberdade, não podemos dizer que o final é inteiramente feliz. Ele foi tratado de forma desumana por 12 anos de sua vida e consegue sobreviver. Um dos pensamentos que fica: com quantos negros isso deve ter acontecido? Outro questionamento: quantos, assim como Northup, conseguiram escapar?

 

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12 Anos de Escravidão, dirigido de forma impecável por Steve McQueen, é um filme imperdível.

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CURIOSIDADES

  • Ao ser libertado, Northup processou os sequestradores, no entanto, estes nunca foram condenados. Após a publicação do livro, ele se tornou militante abolicionista. Morreu em 1865.
  • Cópias do longa vão ser distribuídas em escolas públicas dos Estados Unidos a partir de setembro, juntamente com o livro que inspirou o filme, escrito pelo próprio Northup.
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assinatura ana karina

 

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