Universo Paralelo #3: Por que você deve ler Jogos Vorazes?

Não é segredo que Jogos Vorazes, a trilogia escrita pela americana Suzanne Collins, seja uma das sagas mais populares dos últimos anos. Jogos Vorazes (originalmente The Hunger Games) teve seu primeiro livro publicado em 2008, e juntamente com os seguintes Em Chamas e A Esperança, vendeu mais de cinquenta milhões de cópias no mundo. A franquia de filmes é produzida pela Lionsgate, sendo que o primeiro foi lançado em 2012 e o segundo em novembro de 2013. O primeiro filme deu visibilidade à saga, e o segundo foi uma adaptação muito fiel ao livro e um completo sucesso, sendo o filme de maior bilheteria doméstica do ano nos Estados Unidos. Além disso, a intérprete da protagonista é ninguém menos que Jennifer Lawrence, a jovem atriz de 23 anos que conquistou crítica e público com seu talento e espontaneidade. Estatísticas impressionantes, mas o que faz dessa série um sucesso?

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A história

Primeiramente, vamos nos situar na narrativa: se trata de uma distopia, ou seja, uma história que se passa em um futuro pós-apocalíptico em um país chamado Panem, na área que se imagina ser os antigos Estados Unidos. Essa sociedade foi dividida em 13 distritos, e após uma rebelião, o distrito 13 foi destruído e os distritos restantes se submeteram ao poder da Capital, que como forma de dominação instituiu os Jogos Vorazes. Nesse torneio anual, um garoto e uma garota de 12 a 17 anos (tributos) são selecionados aleatoriamente de cada distrito e jogados em uma arena para lutar até a morte. E a brutalidade não acaba aí: a Capital explora os distritos para sustentar a vida luxuosa de seus habitantes, enquanto os moradores dos distritos vivem precariamente e não podem expressar sua revolta contra tal situação.

É aí que entra a protagonista da história: Katniss Everdeen, uma jovem de 16 anos órfã de pai, responsável pelo sustento da mãe e da irmã, que caça ilegalmente na floresta de seu distrito para alimentar a família, com a ajuda de seu amigo Gale. Quando essa jovem se voluntaria no lugar da irmã, que foi selecionada para os Jogos Vorazes, e conhece o tributo masculino do distrito 12, Peeta, vemos a trama se desenvolver para algo maior.

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Crítica social e exploração do psicológico

Conheci Jogos Vorazes em 2012, e depois de assistir ao primeiro filme, eu me interessei pela série de livros. Depois de ler a trilogia e assistir aos dois primeiros filmes, posso afirmar: essa história, sim, irá acrescentar algo à sua vida.

O interessante das distopias é que, apesar de se passarem em um futuro distante, dizem bastante sobre a sociedade em que vivemos hoje e o comportamento humano em geral. Jogos Vorazes não foge a isso: a Panem de Collins tem muito de nosso mundo. A autora, influenciada pelo mito de Teseu da mitologia grega (o labirinto do Minotauro) e pelas experiências de guerra do pai no Vietnã, faz uma crítica à banalidade dos realities shows, à mídia como forma de controle da população, à futilidade das classes mais altas em contraposição à pobreza do resto das pessoas. Uma frase de Katniss descreve bem a situação nos distritos, que são abusivamente explorados pela Capital: “Distrito 12: onde você pode morrer de fome em segurança”. Além disso, retrata de forma muito interessante e profunda a guerra e suas consequências (físicas e psicológicas) para os envolvidos. Os dramas adultos por que passam os jovens da trilogia nos levam a refletir sobre os comportamentos de nossa época, e quantos não sofrem com as consequências da guerra pelo poder, que também é retratada na série.

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Com um tom político muito bem desenvolvido pela narrativa em primeira pessoa de Katniss, vemos como o trauma psicológico causado por esses conflitos atinge pessoas de todas as classes e as transforma, seja causando traumas ou corrompendo-as. A autora explora com maestria o fator psicológico dos personagens, e como sua história de vida influencia suas atitudes e a personalidade que eles mostram publicamente. A transformação dos personagens pode ser exemplificada por Finnick e Johanna, ex-vencedores dos Jogos Vorazes que são apresentados no segundo livro. Aparentemente arrogantes e fúteis, vemos até o fim da trilogia o desenvolvimento de ambos, mostrando que nada é como parece, e o quanto esses jovens foram usados pela Capital e escondem segredos, traumas e experiências que nos permitem entender ainda mais as atrocidades do governo totalitário de Panem, representado na figura do déspota Presidente Snow. Tais transformações também são muito bem exploradas em Katniss, Peeta e Gale. Katniss, antes uma sobrevivente, passa a símbolo de uma rebelião, tendo que lutar por toda uma nação além daqueles que ela ama. Enquanto isso, Peeta e Gale representam dois lados de uma mesma moeda: ambos querem uma Panem mais justa e democrática, sendo que Peeta procura ser pacífico e cauteloso, e Gale quer ir às últimas consequências para libertar o povo. Temos ainda o mentor Haymitch, forçado a treinar tributos todos os anos, e que procura refúgio no alcoolismo. Os personagens da série, apesar de jovens, têm que amadurecer muito rápido devido à situação, e mostram uma profundidade cativante.

Um dos fatores mais atrativos da série é a narrativa marcada por discussões políticas: a manipulação, a repressão do governo, e Katniss reflete em sua narrativa a conscientização gradativa da população a respeito do que deve ser feito para reverter a situação. A protagonista no terceiro livro se vê no meio de uma guerra e ao mesmo tempo em que o povo busca uma nova Panem, Katniss se destrói no processo pelas situações em que é colocada.

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Os filmes

Adaptar obras literárias é um desafio, principalmente quando se trata de uma obra como Jogos Vorazes, com várias tramas dentro da história e aspectos a serem explorados. O primeiro filme foi lançado em 2012 e dirigido por Gary Ross, que conseguiu retratar bem a realidade dos distritos, a banalidade da Capital e a violência dos Jogos de forma crua e autêntica. O enredo foi bem desenvolvido e as atuações, principalmente da protagonista, foram muito boas, conseguindo transmitir a essência da história. A polêmica câmera tremida de Ross (shaky cam) não me agradou muito, e os efeitos e figurinos, apesar de satisfatórios para um filme de baixo custo, poderiam ter sido melhores.

Diante dos conflitos de agenda de Ross, quem assumiu a direção dos três filmes restantes da franquia foi Francis Lawrence (Eu sou a Lenda, Água para Elefantes). “Em Chamas” foi uma das melhores adaptações que já vi, conseguindo o equilíbrio idealizado das adaptações: é extremamente fiel à obra original, as cenas importantes foram todas colocadas no filme e as cenas adicionadas, além de necessárias, foram muito bem desenvolvidas. O roteiro foi muito bem construído (com a ajuda de Suzanne Collins), as atuações melhoraram consideravelmente e Jennifer Lawrence consegue se superar, interpretando uma forte Katniss que redescobre suas fraquezas. Os cenários retratam Panem de forma mais adequada aos livros, e os efeitos especiais receberam mais investimento, sendo que parte do filme conta com a tecnologia IMAX de altíssima resolução. Os figurinos foram desenvolvidos por Trish Summerville e são muito superiores aos do primeiro filme, inclusive sendo feitos com base em detalhes da história, e o filme foi premiado pelo Sindicato dos figurinistas de Hollywood. O conjunto do filme funciona muito bem, e é uma indicação que o terceiro e quarto filmes, com muita ação e tramas políticas, podem superar seu antecessor.

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Conscientização para os jovens, atração de novos leitores

A trilogia de Collins e sua franquia cinematográfica, apesar de serem voltados para um grande público jovem, mostram que sim, é possível que um blockbuster como The Hunger Games possa levar consciência política aos jovens e fazer críticas à sociedade atual de um modo construtivo. Essa nova tendência nos YA books (livros para jovens adultos) está em franco crescimento, e se mostra em séries como Feios, de Scott Westerfield (trata dos padrões de beleza impostos pela sociedade) e Divergente, de Veronica Roth (explora assuntos relacionados à guerra pelo poder e comportamento).

Com ótimos ganchos nos fim dos capítulos, um tema realista e uma leitura rápida que prende do início ao fim, Jogos Vorazes é um exemplo de livro bem escrito, envolvente e que nos faz refletir sobre o mundo que vivemos e o futuro para o qual estamos caminhando.

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Extras: Novidades sobre “A Esperança”

O próximo filme a ser lançado, A Esperança parte 1, tem previsão de chegada nos cinemas no dia 20 de novembro desse ano. A divulgação do filme não começou oficialmente, e os conteúdos publicados foram o pôster oficial do filme e uma tagline (frase para divulgação) do filme: “Fire burns brighter in the darkness” (O fogo queima mais fortemente na escuridão, em tradução literal). Porém espera-se que a divulgação do filme (muito bem desenvolvida pela Lionsgate com os dois últimos filmes) comece com a exibição do primeiro teaser trailer do filme no Festival de Cannes, na França, que começa no dia 14 de maio, e um grande evento está sendo preparado no local para os distribuidores internacionais.

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No entanto, várias imagens e vídeos não-oficiais das gravações do quarto e último filme da série, A Esperança parte 2, foram divulgados na internet, já que as gravações do mesmo estão sendo realizadas na Europa, principalmente em Paris e Berlim. Nas imagens, aparecem membros do elenco caracterizados, figurantes e alguns cenários. Vídeos curtos foram divulgados contendo a gravação de algumas cenas. O terceiro filme já teve suas gravações encerradas e está em pós-produção.

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assinatura karen caires

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