[Resenha] A invenção de Hugo Cabret – Brian Selznick

Título: A invenção de Hugo Cabret
Autor: Brian Selznick
Editora: SM
Ano da edição: 2007
Número de páginas: 532
Tradução: Marcos Bagno

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.[Essa resenha faz parte de um dos Desafios Literários que estou participando em 2014. Clique aqui para saber mais!]

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A-Invenção-de-Hugo-Cabret

Capa da edição de 2007.

 

Prepare-se para entrar em um mundo onde o mistério e o suspense ditam as regras.
Hugo Cabret é um menino órfão que vive escondido na central de trem de Paris dos anos 1930. Esgueirando-se por passagens secretas, Hugo cuida dos gigantescos relógios do lugar: escuta seus compassos, observa os enormes ponteiros e responsabiliza-se pelo funcionamento das máquinas.
A sobrevivência de Hugo depende do anonimato: ele tenta se manter invisível porque guarda um incrível segredo, que é posto em risco quando o severo dono da loja de brinquedos da estação e sua afilhada cruzam o caminho do garoto.
Um desenho enigmático, um caderno valioso, uma chave roubada e um homem mecânico estão no centro desta intrincada e imprevisível história, que, narrada por texto e imagens, mistura elementos dos quadrinhos e do cinema, oferecendo uma diferente e emocionante experiência de leitura.
(Texto da contracapa)

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A invenção de Hugo Cabret surgiu inicialmente para mim em formato de filme, ou seja, eu fui ao cinema, amei o filme e resolvi comprar o livro. Esse tipo de situação inversa costuma dar certo para mim, não acho realmente necessário ler o livro e após assistir à adaptação cinematográfica da obra. Tento ao máximo desvincular o filme do livro porque são duas artes completamente diferentes, o cinema nada mais é que a visão do diretor. Claro que é inevitável fazer comparações, mas eu não acredito que sempre o livro é melhor que o filme. Em um momento de inspiração falarei sobre isso em um post, agora vamos nos ater ao Hugo Cabret.

Antes de mais nada, quero deixar claro que o livro é LINDO!!! E quando eu digo livro, eu quero dizer o livro mesmo, a capa, o texto, as margens das páginas, as ilustrações, TUDO. O autor, Brian Selznick é formado em designer, logo, ele escreveu e ilustrou a obra. O resultado realmente é muito bonito.

 

BREVE INTRODUÇÃO

A HISTÓRIA QUE ESTOU PRESTES A CONTAR se passa em 1931, sob os telhados de Paris. Aqui, você conhecerá um menino chamado Hugo Cabret, que, certa vez, muito tempo atrás, descobriu um misterioso desenho que mudou sua vida para sempre.

Mas antes de virar a página, quero que você se imagine sentado no escuro, como no início de um filme. Na tela, o sol logo vai nascer, e você será levado em zoom até uma estação de trem no meio da cidade. Atravessará correndo as portas de um saguão lotado. Vai avistar um menino no meio da multidão e ele começará a se mover pela estação. Siga-o, porque este é Hugo Cabret. Está cheio de segredos na cabeça, esperando que sua história comece.

Professor H. Alcofibras

 

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É impossível não fazermos exatamente o que é sugerido nessa breve introdução ao livro. Mesmo que o leitor não seja criativo suficiente para se imaginar sentado no escuro, a obra auxilia para que isso ocorra: as páginas são pretas e as ilustrações parecem estar em movimento, criando uma sequência de cenas, enriquecendo o enredo. A cada página percebemos o destaque para alguns detalhes da ilustração, como o zoom de uma câmera. Esse recurso criado por Brian Selznick faz-nos sentir dentro da história e, caso quiséssemos observar somente as ilustrações, a leitura também seria de grande qualidade e de belíssimas imagens.

O livro é dividido em duas partes. A primeira parte trata da apresentação das personagens, da vida tumultuada dentro da estação de trem, de Hugo Cabret e seu complicado dia-a-dia. Hugo é órfão, vive na estação desde que seu pai faleceu e seu tio, Claude, o pegou para criar. O tio Claude é funcionário da estação, ele trabalha acertando os relógios. Além de solteiro e morador do próprio local de trabalho, Claude é viciado em bebida, sumindo de tempos em tempos, e por consequência disso, bastante irresponsável com a criação de Hugo. O menino acaba por aprender a sobreviver sozinho, roubando alimentos das lojas da estação e fazendo o serviço nos dias em que seu tio não está presente.

Em uma de suas andanças pela estação, Hugo é descoberto pelo dono da loja de brinquedos, que já havia percebido o sumiço de alguns objetos de sua loja. O menino consegue se livrar do homem, mas perde um caderno de anotações durante a fuga.  Este caderno era do pai de Hugo e contém diversos desenhos e comentários sobre um autômato – um homem mecânico – encontrado no porão do museu em que o pai de Hugo trabalhava antes de sua morte. O menino encontrara o autômato e tentava reconstruí-lo, com o objetivo de terminar o trabalho iniciado pelo pai.

O dono da loja fica extremamente incomodado ao ver os desenhos do caderno, como se os desenhos contidos nele o perturbassem, e quando Hugo pede-lhe de volta, o homem resolve impor-lhe um castigo: diz que o caderno foi destruído e obriga Hugo a pagar o que lhe deve, senão, irá denunciá-lo ao fiscal da estação. Hugo começa a trabalhar consertando objetos na loja e, um dia, conhece Isabelle, a sobrinha do dono da loja de brinquedos. Através da menina, Hugo descobre que o caderno ainda existe e está com o tio Georges. Assim, Hugo fica cada vez mais incitado a recuperar o caderno e, após uma série de acontecimentos e com o auxílio de Isabelle, consegue não somente a posse do caderno, mas o término do autômato. O fim da primeira parte se dá exatamente quando o homem mecânico começa a funcionar. Ele faz um desenho que mudará a vida de Hugo Cabret para sempre.

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Le voyage dans la Lune, de Georges Méliès. Cartaz do filme (1902).

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ISSO NOS LEVA AO FINAL DA HISTÓRIA. Agora você sabe como foi descoberto o misterioso desenho que mencionei no início do livro. Esteve escondido dentro dos mecanismos de uma máquina cultuada, esperando para ser libertado pelo giro de uma chave roubada. Aqui as cortinas se fecham e a sala fica toda escura.

Mas outra história começa, porque as histórias sempre levam a outras histórias, e esta aqui nos leva diretamente até à Lua.

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O homem mecânico, depois da realização do desenho, assina: Georges Méliès. Isabelle se espanta porque esse é o nome de seu tio. A partir daqui a história toma um rumo completamente diferente do que eu imaginava, pois o foco será no tio Georges, no homem mecânico que pertenceu a ele e, principalmente, o que está por trás de tudo isso. O interessante dessa segunda parte do livro é a relação feita pelo autor de seu personagem Georges Méliès e do famoso ilusionista francês Georges Méliès. Segundo comentário feito por Brian Selznick, o autor sempre quis criar uma história inspirada na vida de Georges Méliès. Vale salientar que o texto é totalmente ficcional, mas acabamos por aprender um pouco sobre os primórdios do cinema francês através da história e das imagens de filmes antigos inseridas no livro. Caso você queira saber um pouco mais sobre Georges Méliès, clique aqui.

O final é emocionante: texto e imagem. A impressão de estarmos dentro de uma sala de cinema ainda continua. A palavra FIM escrita em branco nas páginas pretas da obra, faz o leitor respirar funda e ter aquela ressaca literária imediatamente. As luzes do cinema se acendem, voltamos à realidade cotidiana.

Nas últimas páginas, encontramos os agradecimentos do autor e a lista das imagens que não são de sua autoria (algumas de Georges Méliès!), mostrando a seriedade do trabalho realizado e o merecimento de nossa dedicação para o ler.

Eu não recomendo apenas a leitura desse livro. Recomendo TER o livro! Desde que eu o adquiri, de quando em vez folheio suas páginas para admirar suas imagens. Vale a pena!

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Página da Wikipedia falando sobre o filme Le voyage dans la Lune, de Georges Méliès: acesse aqui.

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Assista ao filme Le voyage dans la Lune, de Georges Mélies:

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E o último link, é a versão restaurada do filme. Ela contém o curta na íntegra além de ter sido colorida a mão na época do lançamento do filme. Estava perdida até que um cinéfilo anônimo, no início dos anos 90 do século passado, doou uma cópia colorida do negativo do filmete de Méliès à Cinemateca de Bolonha, na Itália. Iniciou-se então a restauração que foi exibida em Cannes em 2011, junto com uma nova trilha sonora composta pela dupla francesa de música eletrônica Air.

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BOA LEITURA!!!
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2 thoughts on “[Resenha] A invenção de Hugo Cabret – Brian Selznick

  1. Eu geralmente faço o mesmo com relação a adaptação e ao livro, eu primeiro assisto ao filme, para depois me jogar por completo no livro, saber as partes essências, ver as diferenças e assim por diante.
    E também assisti ao filme A invenção de Hugo Cabret mas ainda não tive oportunidade de ler o livro, estou desejando comprar agora que você comentou sobre o livro em si ser muito bonito. ;D

    http://confissoesdeumaaprendiz.blogspot.com.br/

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