[Resenha] A menina que roubava livros – Markus Zusak

A menina que roubava livros, de Markus Zusak, é uma obra mundialmente conhecida. Foi publicada em 2005. No Brasil, dois anos depois, em 2007, pela editora Intrínseca. Eu comprei o livro em 2012 somente e o li em janeiro desse ano.

A leitura desse livro faz parte de um projeto pessoal e, também, do projeto Volta ao Mundo em 12 livros que falei nesse post aqui.

Confesso que li muito tempo depois da publicação porque, apesar de o livro já ter me conquistado pela capa, sou uma pessoa desconfiada. Eu realmente acreditava que era apenas mais um best-seller sem algo a acrescentar. No entanto, eu me enganei. Gostei tanto da leitura que penso em fazer um trabalho em sala de aula sobre a obra.

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A menina que roubava livros, de Markus Zusak – Editora Intrínseca

A narrativa passa-se na Alemanha nazista entre os anos de 1939 e 1943, em plena Segunda Guerra Mundial. O livro possui um pequeno prólogo em que conhecemos a narradora, a Morte, e a protagonista, Liesel Meminger. A Morte conta-nos já nessa introdução que encontrou Liesel três vezes e que nessas ocasiões a menina permaneceu viva e, por esse motivo, a “ceifadora de almas” resolveu contar sua história.

Liesel, assim como diversas pessoas nessa época, enfrentou diversos momentos difíceis decorrentes da guerra. A história de Liesel começa em um trem a caminho de Munique, local em que ela e seu irmão seriam entregues a pais de criação. O menino, porém, não sobreviveu à viagem, falecendo no caminho.

Quando a tosse parou, não restou outra coisa senão o nada da vida, seguindo em frente com um arrastar de pés, ou um espasmo quase silencioso. (página 23)

Durante o velório, um dos coveiros deixa cair um livro de seu bolso, “O Manual do Coveiro”, e Liesel abaixa-se para pegá-lo. Esse é o seu primeiro roubo e esta será uma atividade bastante presente na vida da menina. Após o ocorrido, Liesel, além de ter que superar o trauma da perda do irmão, separou-se da mãe já que esta entregou Liesel à adoção por motivos, inicialmente, não esclarecidos. A menina começa a viver com o casal Hubermann, na rua Himmel, em Molching, nos arredores de Munique.

. UMA TRADUÇÃO .
Himmel = Céu
(página 28)

Hans Hubermann é um senhor de meia idade que já passou por uma guerra. Possui o ofício de pintor de paredes e toca acordeão. É um homem muito bondoso, tranquilo, de olhar doce. Será um grande amigo de Liesel durante esse período na rua Himmel. Rosa Hubermann é uma mulher bastante difícil de conviver. Mal humorada, rabugenta e irritadiça, lava e passa roupa para cinco famílias, para complementar a renda dos Hubermann. Rosa amava Liesel, mas sua maneira de demonstrar era um tanto peculiar: chamava a menina de Saumensch (porca) a todo o momento e raramente sorria.

Conforme o tempo vai passando, Liesel acostuma-se a sua nova vida. Vai à escola diariamente, faz amizades, joga futebol e aprende a ler com seu pai Hans. A leitura será muito importante na vida de Liesel nesses quatro anos, sua sede de conhecimento fará com que ela estreite laços de amizade com Rudy Steiner, seu fiel amigo de todas as horas, inclusive dos pequenos furtos, com a esposa do prefeito.

Dentre os diversos acontecimentos na narrativa, acredito que um dos mais belos é a vinda de Max Vandenburg, um judeu, filho de um antigo amigo de Hans e que fica escondido por alguns meses no porão da casa dos Hubermann. O fato de acolherem Max fez-me pensar como muitos alemães eram contra o nazismo e tentavam auxiliar as pessoas como podiam. Não somente isso, muitos alemães submetiam-se ao nazismo por medo de serem perseguidos e mortos também. Em vários momentos aparece a insatisfação dos Hubermann em relação à política nazista e com certeza esconder Max foi uma transgressão e tanto.

– Liesel, se você falar com alguém sobre o homem que está lá em cima, estaremos todos muito encrencados.
(…)
– No mínimo, mamãe e eu seremos levados embora.
(…)
– Se você falar com alguém sobre esse homem…
Com a professora.
Com Rudy.
Não importava com quem.
O importante era que todos seriam passíveis de castigo.

– Para começar, pegarei cada um dos seus livros, todos eles, e porei fogo – disse o pai. Impassível. – Vou jogá-los no fogão ou na lareira – continuou. Certamente, agia como um tirano, mas era necessário. – Entendeu?
O susto cavou um buraco em Liesel, muito nítido, muito preciso.
Os olhos encheram-se de lágrimas.
– Sim, papai.
– Próxima. – Ele tinha que se manter duro, e precisou se esforçar para isso. – Tirarão você de mim. Você quer isso?
Agora Liesel chorava, aflita.
Nein.
– Ótimo. – E aumentou o aperto nas mãos da menina. – Eles levarão aquele homem para longe daqui, e talvez mamãe e eu também, e nunca mais, nunca mais voltaremos. (página 182)

A narrativa é muito interessante. Primeiro porque é a Morte que está narrando, mostrando sua constante presença em tempos de guerra. Além disso, encontramos uma espécie de dicionário de palavras e ocasiões, fazendo uma relação com o aprendizado da escrita e da leitura por Liesel. Podemos dizer que, em uma época de tantas perdas, a palavra ganha força. É através da palavra que Liesel amadurece. É através da palavra que Liesel consola.

. A SITUAÇÃO DE HANS E .
ROSA HUBERMANN
Aflitiva como o quê.
Na verdade, assustadoramente aflitiva.
(página 179)

A escrita realizada por Max e Liesel também são fatos interessantes do livro, lembrando que muitas obras foram proibidas e queimadas na época. Escrever o que pensa e o que sente é um ato de extrema coragem. E, ainda, a forma de mostrar que se está vivo e possui esperança, no caso de Max.

A história é bastante extensa e é impossível contar em detalhes em uma resenha, até porque, perderia todo o encanto da leitura. A escrita de Markus Zusak mostra-nos muita sensibilidade e cuidado ao retratar uma época bastante triste da história da humanidade. Apesar disso, encontramos momentos muito divertidos na leitura como os jogos de futebol das crianças, o roubo de livros e alimentos, as corridas de Rudy.

Em contrapartida, há também as cenas muito tristes como os bombardeios e as caminhadas dos judeus aos campos de concentração. No entanto, Markus Zusak consegue nos fazer refletir, chorar, compreender e até superar esses acontecimentos infelizes através do contraste causado pela bondade, amizade e solidariedade entre os habitantes da rua Himmel.

Não vou mentir: chorei ao ler as últimas páginas. Eu sempre me emociono com a literatura que tem como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial e acho que vale muito a pena ler A menina que roubava livros pois, mesmo sendo uma obra de ficção, faz o leitor perceber como é importante conhecer a história e aprender com ela.

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A menina que roubava livros (2013) – Adaptação cinematográfica

Não gosto de misturar em um mesmo texto livro e filme, mas a estreia é recente e achei necessário pelo menos mencionar. Em 2013, foi realizada uma adaptação cinematográfica da obra. Caso você queira saber um pouco sobre o filme também, assista ao trailer:

O filme é lindo também, mas eu realmente aconselho a leitura do livro.

.

Título: A menina que roubava livros
Autor: Markus Zusak
Número de páginas: 480
Ano de edição: 2010
Editora: Intrínseca
Tradução: Vera Ribeiro
Compre o livro: Livraria Cultura

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4 thoughts on “[Resenha] A menina que roubava livros – Markus Zusak

  1. Estou terminando de ler, e te confesso que até pegar o ritmo da leitura demorou (eu sei, é vergonhoso,mas pra ñ abandonar a leitura, acabei ficando com ele quase dois meses,tentando ler), agora já to no finalzinho da história e consegui pegar o ritmo de leitura a partir da página 160,pois é… Mas realmente é um dos poucos livros que me fez acreditar em sua essência ñ pelo começo,mas pelo meio da história. Espero que ele me surpreenda ainda mais no final.
    Ainda ñ assistir ao filme, quero ver só depois que eu terminar a leitura!

    P.S. Dei boas risadas com a personagem Rosa, muito bom, ela é a culpada de eu Ñ desistir do livro… ; ))

    Bjs
    http://www.depoisqueeumudei.com
    *FB

    Curtir

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