[Resenha] O lado bom da vida – Matthew Quick

Sim, eu realmente acredito no lado bom das coisas, principalmente porque eu o tenho visto quase todos os dias quando saio do porão, enfio a cabeça e os braços em um saco de lixo – de modo que meu torso fique embalado em plástico e eu sue mais – e então corro. (…)
Enquanto corro pelo parque, olho para cima e adivinho o que o dia tem a oferecer.
Se as nuvens estão bloqueando o sol, sempre tento ver aquela luz por trás delas, o lado bom das coisas, e me lembro de continuar tentando, porque eu sei que, embora as coisas possam parecer sombrias agora, minha esposa logo voltará para mim. (pág. 20)

O lado bom da vida (2012) é um desses livros que fiz o contrário: eu o li após assistir à adaptação cinematográfica da obra. Eu realmente não conhecia o escritor Mathew Quick, nunca tinha sequer escutado o seu nome. Aí que um dia eu me deparei com o título na livraria e o comprei.

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O filme é estrelado por Bradley Cooper, como Pat, e Jennifer Lawrence, como Tiffany.

A história é narrada por Pat Peoples, um homem por volta dos 30 anos, que ficou internado em uma instituição psiquiátrica e, após a sua mãe ter conseguido a liberação para terminar o tratamento em casa, Pat volta a morar com seus pais. O motivo da internação e o tempo em que ficou no “lugar ruim”, expressão usada pelo narrador para designar o hospital psiquiátrico, não são esclarecidos inicialmente no texto. Na verdade, Pat não lembra e é a tentativa de reconstruir sua vida, recompor sua memória e superar os seus problemas que o leitor acompanha no decorrer do romance.

A teoria de Pat é a de que a sua vida funciona como um filme produzido por Deus e o seu final feliz será a reconciliação com a sua esposa Nikki. A partir dessa ideia, Pat esforça-se para ver o mundo com outros olhos, em ver o que há de bom em todas as coisas, em ver o lado bom da vida.

Então, seguindo o seu raciocínio um pouco confuso devido às medicações e à nova percepção das coisas, Pat preocupa-se em melhorar fisicamente: ele é praticamente viciado em exercícios físicos, corre diariamente 17 quilômetros e faz dez horas de exercícios diários em equipamentos de ginástica dados por sua mãe; e mentalmente: começa a fazer a leitura obrigatória das obras das disciplinas ministradas por Nikki, professora de Literatura Norte-Americana. Pat acredita que, realizando todas essas atividades, será uma pessoa melhor e atrairá novamente a atenção da esposa, resultando no término do “tempo separados”.

Em meio a todas essas ocupações diárias, Pat relaciona-se com a sua família. Sua mãe, Jeanie, tenta compreender as dificuldades de seu filho e o ajuda comprando roupas, cozinhando seus pratos preferidos, levando-o à consulta semanal com o seu novo psiquiatra, dr. Cliff Patel.

Minha mãe assiste ao jogo nervosa, como sempre, porque ela sabe que, se os Eagles perderem, meu pai vai ficar de mau humor uma semana inteira e vai gritar muito com ela (…) Olho para meu pai de vez em quando, certificando-me de que ele me veja torcendo, porque sei que ele só está disposto a se sentar na mesma sala que o filho mentalmente perturbado se eu estiver torcendo pelos Birds com todas as minhas forças. Devo admitir que é bom estar sentado na mesma sala que meu pai (…) (pág. 68)

A relação de Pat com o seu pai é bastante complicada. O pai, Patrick, é um senhor de meia idade fanático pelo seu time de futebol americano, os Eagles, e bastante supersticioso. Patrick demora a conseguir realmente dialogar com Pat, provavelmente porque não sabe como agir nessas situações. É um homem simples, meio turrão, mas tenta auxiliar seu filho à sua maneira, inserindo-o em seu dia-a-dia voltado aos jogos e às notícias sobre futebol. É claro que o retorno de Pat à casa dos pais acaba por mudar a rotina do casal, causando momentos de conflitos para toda a família. O irmão de Pat, Jake, não reside com a família, mas ele se mostra bastante amoroso e compreensivo com o tratamento de Pat.

Além desse cotidiano familiar, Pat restabelece contato com os amigos e, dentre eles, uma pessoa será muito importante no desenvolver de sua história: Tiffany. Ela é irmã da esposa de seu amigo, Ronnie, e também está passando por diversas dificuldades emocionais. A partir daí, Pat convive diariamente com Tiffany, surgindo uma relação de amizade bastante confusa e divertida.

E, de repente, Tiffany está me abraçando de modo que seu rosto está entre meus peitorais, e ela está chorando e enchendo de maquiagem minha camiseta nova de Hank Baskett. Não gosto de ser tocado por ninguém, exceto por Nikki, e realmente não quero que Tiffany manche a camiseta que meu irmão foi tão legal em me dar – uma camiseta com letras e números bordados de verdade –, mas me surpreendo ao ver que estou retribuindo o abraço dela. Descanso meu queixo em seu cabelo preto sedoso, sinto o cheiro de seu perfume e, de repente, também estou chorando, o que me assusta um bocado. (pág. 47)

A história é realmente encantadora e comovente. Pat mostra-nos, através de sua história e sua perspectiva de vida um pouco distorcida, um lado diferente sobre o tema da depressão e também sobre o amor. A batalha de Pat por sua sanidade mental é emocionante, principalmente porque ele tem esperança e não desiste de sua felicidade.

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À esquerda: a capa após o lançamento do filme, em 2012. À direita: capa e título originais do livro.

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Título: O lado bom da vida
Autor: Mathew Quick
Editora: Intrínseca
Ano de publicação: 2012
Tradução: Alexandre Raposo
Número de páginas: 256

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