Os laços que nos unem à Turma da Mônica

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Tenho 33 anos. Portanto, vivi minha infância nos anos 80 e, por influência de minha mãe e minha avó, cresci com a Turma da Mônica, de Maurício de Sousa. As histórias da baixinha, dentuça e sabichona foram meu primeiro contato com o mundo das HQs. Antes mesmo que os heróis Marvel e DC passassem a representar um papel importante no molde do meu caráter, assim como de todo e qualquer nerd que se preze, as revistas e desenhos animados em VHS da Turma estavam lá, estabelecendo as fundações para todo o universo de cultura pop que viria a seguir.

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Vitor e Lu Cafaggi

E para os irmãos Vitor e Lu Cafaggi, de Belo Horizonte, os personagens e histórias do Maurício tiveram a mesma importância e o casal de irmãos prova isso na graphic novel Turma da Mônica: Laços. Lançada recentemente pela editora Panini como parte de uma nova empreitada do pai da Turminha: releituras de seus personagens pela visão de outros artistas. Já saíram versões do Astronauta, Chico Bento e há outros no forno, como Penadinho, Piteco e inclusive mais uma revista da Turma pelos irmãos Cafaggi.

Tudo começou quando Vitor teve uma história sua, em que reinventava o Chico Bento, publicada no álbum MSP50, que comemorava os 50 anos de carreira do Maurício, trazendo versões de diversos artistas para seus personagens. Maurício gostou tanto da arte de Vitor, de 35 anos, que disse até querer “casar com ele” e o convidou para que, junto com sua irmã Lu, 10 anos mais jovem, recriassem a clássica turminha e o resultado tem tantos adjetivos que eu precisaria de muito tempo para colocá-los aqui.

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A Turma da Mônica

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A dupla de irmãos mineiros usou a Turminha para contar uma história linda sobre amizade e os laços que nos unem, como o próprio título sugere. “Laços”, palavra que está presente em diversos momentos da história e cuja variedade de significados é explorada de forma bem criativa, apresenta como trama o sumiço de Floquinho, o cãozinho do Cebolinha. Depois de esperar, sem sucesso, que seu pai o encontrasse, ele resolve criar um de seus “planos infalíveis” e, acompanhado de seus 3 melhores amigos, embarca em uma aventura além dos limites do bairro do Limoeiro (cenário de todas as histórias da Turma da Mônica), uma jornada emocionante que lembra muito filmes como Conta Comigo (Stand By Me, 1986), em que o companheirismo e a ligação de amor entre aqueles personagens é a chave de tudo e é tornada evidente de maneira engraçada, leve, divertida, sem pressão alguma. É impressionante o quanto fica na cara que, para Vitor e Lu Cafaggi, reinventar a Turma da Mônica foi realmente, como o próprio Maurício de Sousa citou, “apenas como brincar com amigos que os acompanharam desde a infância”.

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Turma da Mônica: Laços é uma verdadeira obra de arte! O carinho que os irmãos Cafaggi têm pela obra de Maurício de Sousa transparece e transborda em cada detalhe de cada página da graphic novel. Está no traço singular e maravilhoso do desenho (Vitor os desenha com 7 anos de idade e Lu os faz mais bebês), que mostra a preocupação em tornar claras certas características que originalmente eram apenas implícitas: Mônica é realmente mais baixinha que o resto e bem gorduchinha, com pernas grossas e cara de emburrada, enquanto Magali, que aparece comendo o tempo todo, é bem magrinha. Cebolinha tem apenas 5 fios de cabelo, bem compridos, que caem por seu rosto e se movimentam de maneira bem realista e Cascão, que evita banhos de maneira sobrenatural, tem cara de criança “arteira”. Está no estudo minucioso de figurino, cenários e cores, que remetem aos anos 80 e, consequentemente, à infância de quem cresceu com esses personagens. Está no uso de flashbacks lindíssimos, que dão substância e tornam crível a relação de amizade entre eles. Está também nas homenagens e referências inseridas ao longo da história. Muito embora a trama gire em torno dos quatro mais populares personagens, Vitor e Lu inserem tantos outros aqui e ali. Titi e Aninha, Maria Cascuda, Denise, Xaveco e sua irmã Xabéu, e até a Turma da Rua de Trás fazem participações especiais. Mas o que encheu meus olhos de brilho foram as referências. Desde clássicos como Peter Pan, até coisas mais cult como The Warriors – Os Selvagens da Noite (The Warriors, 1979) e brincadeiras com a própria mitologia da Turma da Mônica. Uma explicação para o curioso fato de apenas o Cebolinha usar sapatos, a aparição de uma certa fantasia de ratinha rosa ou uma cor de vestido diferente para Magali estabelecem – com o perdão do trocadilho – laços com o universo criado por Maurício e são capazes de fazer fãs como eu dar risada, suspirar e até pular no sofá gritando “Meeeu!!! Caraaaaamba, que massa!!!” pela simples razão de terem captado as referências que, certamente, foram colocadas lá de fã para fã.

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