[Resenha] Perdão, Leonard Peacock – Matthew Quick

A chave é fazer algo que marque você para sempre na memória das pessoas comuns. Algo que importe.

Certo dia resolvi entrar numa livraria e comprar o primeiro livro que me chamasse atenção, gosto de fazer isso às vezes, pois não crio expectativa alguma e tenho a chance de me surpreender com a leitura. Eis que me deparo com Perdão, Leonard Peacock, com sua capa chamativa em vermelho gritante. Peguei o livro para dar uma olhada e vi que o autor é Matthew Quick, o autor de O Lado bom da Vida (que eu particularmente adoro), e logo resolvi comprar, sem ler a sinopse nem nada. Logo depois de adquiri-lo, li a sinopse e de cara me apaixonei pela história.

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O livro conta o último dia da vida de Leonard, que é também seu aniversário de 18 anos, em que ele pretende matar seu ex-melhor amigo, Asher Beal, e cometer suicídio, mas antes, ele quer deixar um presente para cada um de seus quatro amigos – seu vizinho Walt, um velho com quem Leonard assiste a filmes de Humphrey Bogart; Herr Silverman, seu professor de história; Baback, um descendente de iranianos que Leonard observava ensaiando violino todos os dias; e Lauren, uma menina evangélica que Leonard conheceu enquanto brincava de “ser adulto” – e assim se dá a narrativa, em primeira pessoa, das experiências vivenciadas por Leonard nesse dia.

Leonard é um garoto estranho, deslocado, apaixonado por “Hamlet” e que não gosta de seguir as tendências da atualidade. Sentindo-se sempre rejeitado pela mãe estilista e ocupada, Leonard é um tanto quanto independente e decidido, o que também o torna revoltado com certas coisas. Algumas de suas grandes qualidades são sua inteligência e sua profunda capacidade de reflexão, e, o que acaba por contradizer a sua revolta, seu conformismo de que este será seu último dia de vida.

Eu rio, porque estamos falando de notas e pontos como se fossem coisas reais ou algo assim. Saber que estou prestes a matar Asher Beal e, em seguida, a mim mesmo torna essa conversa ainda mais absurda e irrelevante.( Leonard, p. 62)

Ao longo da história, nos deparamos com várias cartas, enviadas de um Leonard futurista para o presente, onde este vive em um mundo pós- apocalíptico, mas mesmo assim conseguiu ser feliz e ter uma família, encorajando-o a não desistir de sua vida, porque no final ele será feliz, como realmente merece.

Eu sei que você realmente quer matar aquele certo alguém. Que você se sente abandonado por seus pais. Desprezado na escola. Sozinho. Sem amigos. Preso. Com medo. Eu sei que você só quer que tudo acabe, que não consegue ver nada de bom em seu futuro (…) mas, por favor, aguente mais um pouco. Por nós. Por si mesmo. (Carta do futuro número 1, p. 37)

Leonard é uma pessoa incrível, incompreendido pela maioria, mas com uma mente brilhante, que beira à loucura. Uma de suas peculiares manias é, como eu disse acima, brincar de “ser adulto”, em que ele veste terno e usa uma maleta, pega o metrô e segue a pessoa que parecer mais infeliz, pra tentar descobrir mais sobre ela, e tentar, telepaticamente, impedi-la de fazer o que não quer e incentivando a fazer algo que realmente queira e que vá deixa-la feliz. Quick consegue construir uma leitura dinâmica e nem um pouco cansativa, e talvez até um pouco mórbida, sempre compelindo o leitor a ler cada vez mais, com um pouco de suspense e surpresas, o que me fez devorar este livro em um dia.

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Título: Perdão, Leonard Peacock
Autor: Matthew Quick
Editora: Intrínseca
Páginas: 223

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