391 anos de La Fontaine

Jean de La Fontaine (1621 – 1695)

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Jean de La Fontaine nasceu em 8 de julho de 1621 em Château- Tierry, na França. Foi poeta e é considerado o pai da fábula moderna. Era filho de um inspetor de águas e florestas. Estudou Teologia e Direito em Paris, mas seu maior interesse sempre foi a literatura.

Por desejo do pai, casou-se em 1647 com Marie Héricart. Embora o casamento nunca tenha sido feliz, o casal teve um filho, Charles.

Em 1652 La Fontaine assumiu o cargo de seu pai como inspetor de águas, mas alguns anos depois colocou-se a serviço do ministro das finanças Nicolas Fouquet, mecenas de vários artistas, a quem dedicou uma coletânea de poemas.

Escreveu o romance Os Amores de Psique e Cupido e tornou-se próximo dos escritores Molière e Racine. Com a queda do ministro Fouquet, La Fontaine tornou-se protegido da Duquesa de Bouillon e da Duquesa d’Orleans.

Em 1668 foram publicadas as primeiras fábulas, num volume intitulado Fábulas Escolhidas. O livro era uma coletânea de 124 fábulas, dividida em seis partes. La Fontaine dedicou este livro ao filho do rei Luís XIV. As fábulas continham histórias de animais, magistralmente contadas, contendo um fundo moral. Escritas em linguagem simples e atraente, as fábulas de La Fontaine conquistaram imediatamente seus leitores.

Em 1683 La Fontaine tornou-se membro da Academia Francesa, a cujas sessões passou a comparecer com assiduidade. Na famosa “Querela dos antigos e dos modernos”, tomou partido dos poetas antigos.

Várias novas edições das Fábulas foram publicadas em vida do autor. A cada nova edição, novas narrativas foram acrescentadas. Esta obra segue o estilo do autor grego Esopo: fala da vaidade, estupidez e agressividade humanas através de animais.

Algumas fábulas escritas e reescritas por ele são A Lebre e a Tartaruga, O Homem, O Menino e a Mula, O Leão e o Rato, e O Carvalho e o Caniço.

Faleceu em 13 de abril de 1695 e está sepultado no cemitério Père-Lachaise, em Paris, ao lado do dramaturgo Molière.

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Sobre a natureza da fábula declarou:

É uma pintura em que podemos encontrar nosso próprio retrato.

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Uma fábula bastante conhecida e de que gosto muito é A Cigarra e a Formiga. Normalmente eu trabalho com esse texto em sala de aula a fim de que os alunos possam refletir sobre o trabalho e sobre o que acontece quando não planejamos o nosso futuro. Para quem não conhece ainda o texto, aqui está:

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A cigarra e a formiga

Tradução de Bocage (1765-1805)

Tendo a cigarra, em cantigas,

Folgado todo o verão,

Achou-se em penúria extrema,

Na tormentosa estação.

 

Não lhe restando migalha

Que trincasse, a tagarela

Foi valer-se da formiga

Que morava perto dela.

 

– Amiga – diz a cigarra

– Prometo, à fé de animal,

Pagar-vos, antes de Agosto,

Os juros e o principal.

 

A formiga nunca empresta,

Nunca dá; por isso, junta.

– No verão, em que lidavas?

– À pedinte, ela pergunta.

 

Responde a outra: – Eu cantava

Noite e dia, a toda a hora.

– Oh! Bravo! – torna a formiga

– Cantavas? Pois dança agora!

 

O Livro das Virtudes

Uma antologia de William J. Bennett, 1995

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Ilustração de Gustave Doré para a fábula A Cigarra e a Formiga, de La Fontaine

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Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre o autor e seus textos:

Trabalhos de La Fontaine no Projeto Gutenberg (em inglês)

La Fontaine, Jean de La Fontaine – Les Fables, Jean de La Fontaine (em francês)

Livro de Fábulas de La Fontaine para download (em português)

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