Machado de Assis: 173 anos

Assim são as páginas da vida,
como dizia meu filho quando fazia versos,
e acrescentava que as páginas vão
passando umas sobre as outras,
esquecidas apenas lidas.

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Na última quinta-feira, dia 21 de junho, um grande escritor da literatura brasileira completou 173 anos: Machado de Assis. Não poderíamos deixar de comentar sobre a vida e a obra dessa grande personalidade da literatura brasileira do século XIX. Normalmente apontado como o maior nome da literatura nacional, Machado de Assis escreveu praticamente textos de todos os gêneros literários: foi poeta, romancista, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, jornalista e crítico literário. Sua obra compreende 9 romances e peças teatrais, 200 contos, 5 coletâneas de poemas e sonetos além de mais de 600 crônicas.

É considerado o introdutor do Realismo no Brasil, com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas  (1881).

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Machado de Assis aos 57 anos (1896)

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Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839 no Rio de Janeiro e aí morreu em 1908. Trabalhou como tipógrafo e revisor, tornando-se logo colaborador da imprensa da época. Teve uma infância pobre e sua ascensão artística é fruto de uma longa e séria dedicação. Casou-se em 1869 com Carolina Xavier de Novais, companheira que muito o estimulou na carreira literária. Foi também o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, que ajudara a fundar em 1897.

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O romancista

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Machado de Assis estreou como romancista em 1872, publicando Ressurreição. Entre esse primeiro livro e o último, Memorial de Aires (1908), percebe-se uma lenta evolução que faz de sua obra uma das mais importantes de nossa literatura.

Seus quatro primeiros romances — Ressurreição (1872), A mão e a luva (1874), Helena (1876) e Iaiá Garcia (1878) — representam, por assim dizer, a primeira fase da produção de Machado de Assis. Embora estejam presentes traços românticos na representação das personagens e na estruturação do enredo, essas obras já revelam, ainda que timidamente, as características que marcarão a fase realista e madura do autor, como o interesse na análise psicológica das personagens, um certo humorismo, os monólogos interiores e os cortes na ordem linear das narrativas.

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Em Memórias póstumas de Brás Cubas (1881), que é uma espécie de divisor de águas na obra machadiana, e nos livros posteriores — Quincas Borba (1891), Dom Casmurro (1899), Esaú e Jacó (1904), Memorial de Aires (1908) — essas características predominarão, revelando o interesse cada vez maior de Machado de Assis em aprofundar a análise do comportamento humano.

Nessa análise, Machado vai além das aparências e procura atingir os motivos essenciais da conduta do homem, descobrindo neles o egoísmo, a luxúria, a vaidade. Por trás dos atos aparentemente bons e honestos, ele surpreende as intenções verdadeiras, o orgulho e a cobiça, desmascarando a hipocrisia humana.

Seu humor tinge-se, então, de pessimismo, de uma ironia amarga e cruel. A vida surge como um campo de batalha, onde os homens lutam e procuram destruir-se para gozar poucos momentos de prazer e satisfazer seus desejos de riqueza e ostentação. A natureza assiste ao drama humano com indiferença, e a religião não é senão uma máscara para encobrir o egoísmo dos indivíduos.

O enredo, a ação e o tempo da narrativa não têm uma seqüência linear, ficando subordinados ao interesse da análise. Os fatos só têm sentido em função da análise da consciência humana. A lógica da narrativa, é predominantemente interna.

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O contista

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Em termos de valor literário, o conto, no século XIX, atingiu seu ponto culminante com a obra de Machado de Assis. Alguns de seus contos podem ser colocados entre os melhores de toda a literatura em língua portuguesa e mesmo estrangeira.

Dotado de grande talento para a história curta, Machado de Assis escreveu inúmeros contos, muitos deles espalhados pelas diversas revistas e jornais em que colaborou. Apesar de algumas concessões feitas ao gosto do público a que se dirigia, grande parte de seus contos revela a preocupação em analisar o comportamento humano, procurando descobrir, por trás das ações, os mecanismos secretos e egoístas da alma humana.

Numa linguagem depurada, reduzida ao essencial, deixou contos primorosos, dentre os quais podemos lembrar: “A cartomante”; “O alienista”; “O enfermeiro”; “O espelho”; “Noite de almirante”; “A Igreja do Diabo”; “Uns braços”; “Singular ocorrência”; “Missa do galo”; “Um homem célebre”; “A causa secreta”; “Pai contra mãe”.

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Outros gêneros

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Machado de Assis foi também um bom cronista. Sutil comentador de fatos e situações, fez da crônica um gênero literário de valor. De sua produção, destacam-se as crônicas que escreveu entre 1892 e 1897 para a Gazeta de Notícias, sob o título “A Semana”.

Além disso, Machado de Assis dedicou-se à poesia, que também traz como marca principal o tom reflexivo que caracterizou sua obra. Alguns de seus poemas mais famosos são “Círculo vicioso”, “Soneto de Natal”, “Perguntas sem resposta” e “A Carolina”.

O teatro foi outro ponto de interesse para Machado de Assis, principalmente na mocidade, embora suas peças não tenham o mesmo nível de seus contos e romances. Dentre as que escreveu, lembremos Quase ministro (1864) e Os deuses de casaca (1866).

Como crítico literário, escreveu alguns trabalhos importantes, que revelam um intelectual consciente do valor da crítica numa literatura nascente, mostrando-se aberto à compreensão das transformações e modificações que cada geração deve trazer à arte. Além de numerosos prefácios e ensaios, destacam-se de sua produção três estudos: Instinto de nacionalidade, A nova geração e O primo Basílio (este último a respeito do romance de Eçã de Queirós).”

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Texto adaptado da obra Estudos de Literatura Brasileira, de Douglas Tufano

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Eu poderia criar milhares de posts sobre Machado de Assis e mesmo assim não conseguiria transmitir de forma completa a riqueza de sua obra. Caso você tenha interesse de desvendar sua obra, existem muitos estudos sobre o autor publicados na internet. Listarei alguns sites interessantes:

Machado de Assis – Obra Completa: É resultado de uma parceria entre o Portal Domínio Público – a biblioteca digital do MEC – e o Núcleo de Pesquisa em Informática, Literatura e Linguística (NUPILL), da Universidade Federal de Santa Catarina. O site possui o objetivo de fazer com que a obra machadiana chegue a qualquer usuário de internet, em edições confiáveis e gratuitas. Dá para fazer download da obra completa!

Machado de Assis.net: Diversos estudos sobre a obra machadiana.

Espaço Machado de Assis: Idealizado pela Academia Brasileira de Letras

Projeto Releituras: Biografia de Machado de Assis no site do Projeto Releituras

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Finalizo o post com um vídeo que gostei bastante e acredito ser um bom recurso para a sala de aula (já fica a dica!). Esse vídeo é da TV Escola e faz parte da coleção Mestres da Literatura. Vale a pena assistir!

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Espero que tenham gostado de (re)conhecer a vida desse grande escritor. Em breve, postarei mais informações sobre estudos sobre sua obra e também alguns contos que gosto muito.

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Beijinhos,

Ana Karina

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