12 de abril: aniversário de Raul Pompeia

o escritor Raul Pompéia

Raul Pompéia nasceu no dia 12 de abril de 1863 no vilarejo de Jacuecanga, município de Angra dos Reis, Rio de Janeiro. Era filho de Antônio D’Ávila Pompéia e de Rosa Teixeira Pompéia. Foi morar no Rio de Janeiro e estudar no internato do Colégio Abílio, dirigido pelo educador Abílio César Borges, o barão de Macaúbas.

O Colégio Abílio era conhecido como uma das melhores escolas da Corte por possuir a mais avançada pedagogia do Império. Esse colégio recebia alunos de todo o país, que eram instruídos de acordo com os princípios da classe dominante: Monarquismo, Catolicismo, escravismo, dentre outros. Foi ali que Raul Pompéia começou realmente sua vida, em meio a rígidas normas de conduta e hipocrisia. Essa vivência o marcou profundamente e inspirou sua obra mais importante, “O Ateneu”.

Colégio Abílio, no Rio de Janeiro

Começou a escrever muito cedo, editando um jornalzinho que circulava no colégio. Através dele, ele criticava tanto professores como alunos. Na ocasião, ele estava empenhado em traduzir trechos do tratado de Charles Darwin, “A origem das espécies”.

Nessa época, Raul Pompéia já se revelava como um crítico impiedoso, e avesso à obediência cega. Por conta disso, foi transferido para o Imperial Colégio de D. Pedro II, um colégio só para a elite imperial. Em meio a alunos inteligentes e bem preparados, o jovem escritor pode aprimorar sua vocação para o jornalismo, a vida pública e a arte, interessando-se da mesma maneira pela oratória, desenho, escultura, música e literatura. No ano seguinte, 1880, publica seu primeiro romance: “Uma tragédia no Amazonas”.

No ano seguinte muda-se para São Paulo, onde vai cursar Direito na Faculdade do Largo de São Francisco, passando a participar na campanha abolicionista e defendendo a causa republicana. Publica em forma de folhetim o romance “As Jóias da Coroa”, obra explicitamente antimonarquista. Nesse mesmo ano publica também suas primeiras poesias do livro “Canções sem metro”. Juntamente com 90 colegas da faculdade, transfere-se para a cidade de Recife para concluir o curso de Direito, provavelmente em consequência da defesa dos ideais abolicionistas e republicanos. No entanto, Pompeia nunca exercera a advocacia.

Voltou para Rio de Janeiro, em 1885, e dedicou-se ao jornalismo, escrevendo crônicas, folhetins, artigos, contos e participando da vida boêmia das rodas intelectuais. Escreveu e publicou “O Ateneu”, em formato de folhetim, na “Gazeta de Notícias”, mas logo depois, já saiu em formato de livro em 8 de abril de 1888, consagrando-o definitivamente como escritor.

O Ateneu (1888)

“O Ateneu” é um romance de cunho autobiográfico, narrado em primeira pessoa, contando o drama do menino Sérgio, que é colocado num internato para estudar e se educar. Pelo visto, o menino Pompéia passou mal no internato do barão de Macaúbas, e “se vinga”, como diz Mário de Andrade, ao retratar um colégio semelhante sem esconder a dureza do pai, e as maldades dos colegas e do diretor. Culminando com a paixão do menino pela esposa do diretor e na destruição da escola pelo fogo.

Pompéia apresenta fortes características na linguagem, devido a seu talento de caricaturista. Seu vocabulário tem grande riqueza plástica e sonora. A princípio, a crítica o julgou pertencente ao Naturalismo, mas as qualidades artísticas mencionadas demonstram seu compromisso com o Simbolismo.

Depois da abolição, passou a dedicar-se à campanha republicana. Nesta época, colaborava em “A Rua” e no “Jornal do Commercio”. Proclamada a República, em 1889, foi nomeado professor de mitologia da Escola de Belas Artes e, logo a seguir, diretor da Biblioteca Nacional.

Revelou-se um florianista exaltado, achando que seu militarismo constituía a defesa da pátria, em oposição aos intelectuais do seu grupo, como Pardal Mallet e Olavo Bilac. Com a morte de Floriano, em 1895, foi demitido da direção da Biblioteca Nacional, acusado de desacatar a pessoa do Presidente no explosivo discurso pronunciado em seu enterro.

Inquietante como escritor e como pessoa, o escritor envolveu-se em inúmeras polêmicas, inimizades e crises depressivas, chegando até a desafiar o poeta Olavo Bilac para um duelo. Afastado pelos amigos e caluniado nos meios jornalístico e intelectual, Raul Pompéia suicidou-se em 25 de dezembro de 1895, em plena noite de Natal, aos 32 anos, no Rio de Janeiro.

OBRAS DO AUTOR:

Romance:

Uma tragédia no Amazonas (1880); As Jóias da Coroa (1882); O Ateneu (1888).

Conto

Microscópicos (1881)

Poema em Prosa

Canções sem metro (1900)

Outros

Alma morta (1888); Prosas esparsas de Raul Pompéia (1920/21)

Caso você queira saber um pouco mais sobre o escritor Raul Pompéia, acesse o seu perfil no site da Academia Brasileira de Letras, clicando aqui!

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