Morre escritor Millôr Fernandes

“Quem me pede pra contar toda a verdade já está me exigindo uma mentira.” – Millôr Fernandes

Hoje eu acordei com a notícia de que um autor que gosto muito, o Millôr Fernandes, havia falecido durante a madrugada. Fiquei bastante pensativa e passei uma boa parte do dia buscando material sobre a sua vida e lendo algumas de suas obras. Resolvi dividir com vocês um pouquinho sobre a vida desse grande intelectual brasileiro que, com certeza, deixará saudades.

Eu conheci a obra de Millôr Fernandes quando li Fábulas fabulosas. Gostei tanto do livro e da forma como ele trabalha as fábulas que sempre utilizo seus textos e desenhos no meu dia-a-dia em sala de aula. Eu acho a obra do Millôr bastante crítica. Com certeza ele ajudou as pessoas a pensarem e raciocinarem sobre o mundo.

Millôr Fernandes


Millôr Fernandes nasceu em 16 de agosto de 1923, no Rio de Janeiro, mas só foi registrado – como Milton Viola Fernandes – em 27 de maio de 1924. Ficou conhecido como Millôr graças à “caligrafia duvidosa” na certidão de nascimento: o T tinha aspecto de L (não possuía o traço) e o N era incompleto, parecendo um N.

Sua carreira profissional inicia-se em 1938, quando, aos 14 anos, Millôr entrou no Liceu de Artes e Ofícios e começou a trabalhar na revista O Cruzeiro. Naquele momento, tornou-se um dos principais nomes do jornalismo e das artes no Brasil. Conta-se que no período em que Millôr trabalhava na O Cruzeiro, as vendas da revista foram de 11 mil para 750 mil exemplares.

Foi um dos criadores do jornal O Pif-Paf, publicação que durou apenas 8 edições, marca o início da imprensa alternativa no Brasil. Millôr também foi um dos colaboradores de O Pasquim, semanário brasileiro editado entre 26 de junho de 1969 e 11 de novembro de 1991, reconhecido por seu papel de oposição ao regime militar.

Artista multifacetado – tinha aptidão para o desenho, a prosa, a poesia, o teatro, a literatura – Millôr Fernandes obteve sucesso de crítica e de público em todos os gêneros em que se aventurou e foi diversas vezes premiado. Publicou mais de 50 livros a partir de 1946, boa parte compilando textos humorísticos e desenhos feitos para a imprensa, dentre eles Fábulas Fabulosas (1964) e A Verdadeira História do Paraíso (1972). Escreveu diversos roteiros para o cinema: individualmente –“Modelo 19” (1952, mais conhecido como “O Amanhã Será Melhor”; “Amor para Três” (1960), “Ladrão em Noite de Chuva” (1960); “Esse Rio que Eu Amo” (1962), “Crônica da Cidade Amada” (1965), “O Menino e o Vento” (1967) e “Último Diálogos” (1995)– ou em parceria, como “O Judeu” (1995), com Geraldo Carneiro e Gilvan Pereira, e “Mátria” (1998), com Carneiro e Jom Tob Azulay. Em “Terra Estrangeira” (1995), dirigido por Walter Salles e Daniela Thomas, participou com diálogos adicionais.

Millôr foi uma das primeiras personalidades brasileiras a ter espaço na internet, inaugurando seu site no ano 2000, que segue no ar até hoje. No Twitter, tem mais de 368 mil seguidores.

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Alguns textos de Millôr Fernandes

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Prevenção contra assaltos



Como os assaltos crescem dia-a-dia, não podendo contê-los, a PM, sabiamente, dá conselhos aos cidadãos para serem menos assaltados:

1) Não demonstre que carrega muito dinheiro.

2) Jamais deixe objetos à vista, dentro do carro.

3) Levante todos os vidros, mesmo em movimento.

4) Não deixe documentos no veículo.

5) Na volta, ao se aproximar do carro, verifique se não há alguém suspeito por perto.

6) Não leve objetos de valor nem muito dinheiro para a praia.

7) Se, ao ir à praia, for de carro, coloque o veículo num ponto em que fique ao alcance de sua vista.

8) À noite, em locais escuros, use faróis altos.

9) Não dirija com o braço fora do carro.

10) Ao chegar em casa e antes de descer para abrir o portão, ou esperar por isso, verifique se não há pessoas suspeitas por perto.

11) À noite não se deixe aproximar por veículos com mais de dois homens.

12) Se assaltado, fique calmo. Não faça movimentos bruscos e evite encarar os assaltantes. Não discuta nem reaja.

13) Evite aglomerações. Nos locais em que todos se acotovelam os punguistas agem.

Depois de ler com extrema atenção estas instruções oficiais, acrescento as minhas, ou melhor, resumo:

1) Não saia de casa.

2) Se possível, não saia do quarto.

3) De preferência, não saia do cofre.

Texto extraído do livro Que país é este?, Editorial Nórdica Ltda. — Rio de Janeiro, 1978, pág.113.

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Poeminhas cinéticos

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Para saber um pouquinho mais sobre a vida e a obra de Millôr Fernandes, entre no site do autor. Outras informações você pode encontrar também no Projeto Releituras e no Jornal de Poesia.

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