DIA MUNDIAL DO TEATRO – 27 de Março

O Dia Mundial do Teatro, criado em 1961 pelo Instituto Internacional do Teatro, é celebrado todos o anos, a 27 de Março, pelos centros nacionais do Instituto Internacional do Teatro e pela comunidade teatral internacional. São organizadas numerosas manifestações teatrais nesta ocasião, sendo uma das mais importantes, a difusão da mensagem internacional, tradicionalmente redigida por uma personalidade do Teatro, de renome mundial, a convite do Instituto Internacional do Teatro.

O International Theatre Institute (ITI), uma organização não governamental, foi fundado em Praga no ano de 1948 pela UNESCO e pela comunidade internacional do teatro.

 

Origem do teatro

 

A origem do teatro pode ser remontada desde as primeiras sociedades primitivas, em que se acreditava no uso de danças imitativas como propiciadores de poderes sobrenaturais que controlavam todos os fatos necessários à sobrevivência (fertilidade da terra, casa, sucesso nas batalhas, etc). Essas danças também possuíam um caráter de exorcização dos maus espíritos. O teatro, portanto, em suas origens tinha um caráter ritualístico.

Com o domínio e o conhecimento do homem em relação aos fenômenos naturais, o teatro vai deixando suas características ritualistas, dando lugar às características mais educacionais. Ainda num estágio de maior desenvolvimento, o teatro passou a ser o lugar de representação de lendas relacionadas aos deuses e heróis.

Na Grécia antiga, os festivais anuais em honra ao deus Dionísio (Baco, para os latinos) compreendiam, entre seus eventos, a representação de tragédias e comédias. As primeiras formas dramáticas na Grécia surgiram neste contexto.

A hipótese mais difundida quanto à origem da tragédia estaria ligada ao caráter religioso e ao que Aristóteles nos afirma na Poética. Segundo ele, a tragédia teria nascido de improvisos, teria a sua origem em formas líricas como o ditirambo.

Este gênero, dito por alguns estudiosos “semi-literário” – pois nasceu de forma improvisada e posteriormente foi escrito – surgiu no século VII a.C. na região de Corinto e de Sícion e era formado por danças e cantos em honra ao deus Dioniso. Foi criado por Archílocus mas foi Árion de Lesbos, que viveu por volta de600 a.C. na corte do tirano Periandro de Corinto, quem instituiu algumas modificações: deu forma literária ao que era improvisado; deu figurino aos integrantes, vestindo-os como sátiros; definiu o número de participantes em 50 coreutas; intercalou colóquios entre os coreutas e o corifeu (uma espécie de chefe do coro) e alterou a forma de procissional para circular.

A tragédia grega, mesmo após vários séculos ainda é bastante lida, comentada e encenada devido à amplitude de sua significação e à riqueza do pensamento que os grandes tragediógrafos souberam dar-lhe: a tragédia grega apresentava uma reflexão sobre o homem. Em todas as épocas de crise na história da humanidade, percebe-se a necessidade de um retorno a esses mitos antigos tratados nas apresentações do teatro ateniense, a fim de que esses possam ser ressignificados e adequados às questões do homem contemporâneo, daí as diversas recriações dos gregos, seus temas e personagens: ainda se escrevem Electras, Antígonas e Medéias.

O desenvolvimento do gênero teatral

Psístrato, o sagaz tirano de Atenas que promoveu o comércio e as artes e foi o fundador das Panatenéias e das Grandes Dionisíacas, esforçou-se para emprestar esplendor a essas festividades públicas. Em 534 a.C., trouxe da Icária para Atenas o coreuta ditirâmbico Téspis, e ordenou que ele participasse da Grande Dionisíaca. Téspis teve uma nova e criativa idéia que faria história. Ele se colocou à parte do coro como solista e em vez de narrar os acontecimentos das personagens, agiu como um deles, criando o papel do hypokrites (“respondedor” e, mais tarde, ator), que apresentava o espetáculo e se envolvia num diálogo com o condutor do coro. Essa denominação hypokrites ressalta a importância que possuirá o coro com o desenvolvimento do gênero: o ator responde ao coro. O coro será a personagem principal numa época em que a pólis está para ser formada. A coletividade é mais importante que o indivíduo e é representada pelo coro.

Essa inovação, primeiramente não mais do que um embrião dentro do rito do sacrifício, se desenvolveria mais tarde na tragédia, etimologicamente, tragos (bode) e ode (canto).

Entre a primeira apresentação de Téspis e o primeiro êxito teatral de Ésquilo passaram-se sessenta anos. Foram anos de violentas disputas políticas que puseram um fim ao domínio dos tiranos, levaram à intervenção dos guerreiros de Maratona na formulação dos assuntos públicos e, com Clístenes, à fundação da República de Atenas. Porém, indepententemente das revoltas políticas, a nova forma de arte da tragédia ganhou terreno, aperfeiçoou-se e se tornou a matéria de uma competição teatral (agon) nas Dionisíacas.

Com o desenvolvimento do gênero teatral, que praticamente tornou-se o gênero literário mais importante na Grécia durante o séc. V a.C., as Grandes Dionísicas atraem um público cada vez maior. É a própria cidade, Atenas, que se reúne em peso para assistir anualmente, em um momento especial do calendário religioso, tragédias e comédias. É portanto para a pólis que as peças serão direcionadas. Mas não só. Aos poucos, estrangeiros também participarão, muitos vindos de outras cidades gregas, mas outros vindos mesmo de outros países, exclusivamente para assistir as representações teatrais. O teatro ateniense passa a ser cada vez mais o rosto mais atrativo que a cidade mostra de si mesma, símbolo de sua importância cultural diante de seus vizinhos e de certa forma, parte da política hegemônica ateniense na área do Mediterrâneo oriental a partir das vitórias contra as invasões persas.

Portanto o teatro trágico grego tem uma dupla ambientação: religiosa, por um lado, já que se insere no calendário festivo-religioso, mas conjuntamente, política, pois é também uma festa estatal. Cabe a cidade, a pólis, se incumbir dos preparativos para a sua realização.

O apogeu da tragédia ática coincidiu com a hegemonia ateniense e com a Guerra do Peloponeso; a época dos grandes trágicos só terminou por volta de400 a.C., pouco depois da apresentação de obras póstumas de Sófocles e Eurípedes. O teatro trágico do século IV e do século III a.C. foi dominado por reapresentações das obras de Ésquilo, Sófocles e Eurípides, e também pela obra dos outros trágicos citados por Aristóteles, mas que não conhecemos.

Os tragediógrafos

Tépsis foi o primeiro tragediógrafo a vencer o concurso celebrado pelo imperador Psístrato, no entanto, sua obra não chegou até nós. Ésquilo foi o nome que ficou historicamente registrado como o primeiro grande tragediógrafo. É a Ésquilo que a tragédia grega antiga deve a perfeição artística e formal, que permaneceria um padrão para todo o futuro. Seu pai pertencia à nobreza proprietária de terras de Elêusis e Ésquilo, portanto, tinha acesso direto à vida cultural de Atenas. Em 490 a.C. participou da batalha de Maratona, e foi um dos que abraçou apaixonadamente o conceito democrático da pólis. Segundo alguns historiadores, sua lápide honra a bravura dele na batalha, mas nada diz respeito de seus méritos como dramaturgo.

Ésquilo ganhou os louros da vitória na agon teatral somente após diversas tentativas. Sabe-se que ele começou a competir na Grande Dionisíaca em 500 a.C. com tetralogias, a unidade obrigatória de três tragédias e uma peça satírica concludente. Toda a sua obra anterior a 472 a.C., quando Os Persas foi encenada pela primeira vez, está perdida. De acordo com cronistas antigos, Ésquilo escreveu ao todo noventa tragédias; destas, setenta e novo títulos chegaram até nós, mas dentre eles conservaram-se apenas sete peças.

Quatro anos depois de ter ganhado o prêmio com Os Persas, Ésquilo enfrentou pela primeira vez, no concurso anual de tragédias, um rival cuja fama estava crescendo: Sófocles, então com vinte e nove anos de idade, filho de uma rica família ateniense. Sófocles foi convidado, aos 15 anos de idade, a conduzir o coro de adolescentes no cortejo à vitória da batalha de Salamina.

Os dois rivais inscreveram suas tetralogias para a Dionisíaca de468 a.C. Ambas foram aceitas e apresentadas. Ésquilo obteve o segundo lugar enquanto que o prêmio coube a Sófocles, trinta anos mais novo.

Sófocles aperfeiçoou os cenários pintados móveis ou periactos (prismas giratórios). Naquela época, a cenografia representava a fachada de palácios, templos ou, ainda, acampamentos guerreiros. O cenário era pintado. Sófocles tornou-o móvel, cada face do prisma representava um desses espaços. Além dessas modificações, Sófocles rompe com o uso de trilogias, dando maior dinâmica ao enredo.

Sófocles ganhou dezoito prêmios dramáticos. Dos cento e vinte três dramas que escreveu, e que até o século II a.C. ainda se conservavam na Biblioteca de Alexandria, conhecemos cento e onze títulos, mas apenas sete tragédias e os restos de uma sátira chegaram até nós.

Com Eurípides teve início o teatro psicológico do Ocidente. “Eu represento os homens como devem ser, Eurípides os representa como eles são”, Sófocles disse uma vez. O terceiro dos grandes poetas trágicos da Antiguidade partiu de um nível inteiramente novo de conflito. Ele exemplificou o dito de Protágoras a respeito do “homem como a medida de todas as coisas”.

Eurípides, filho de um proprietário de terras, nasceu em Salamina e foi instruído pelos sofistas de Atenas. “Ele era um cético que duvidava da existência da verdade absoluta, e como tal se opunha a qualquer idealismo paliativo”. Estava interessado nas contradições e ambiguidades, no princípio da decepção, na relativização dos valores éticos. O pronunciamento divino não era a verdade absoluta para ele e não lhe oferecia nenhuma solução conciliatória.

Em contradição com a doutrina socrática de que o conhecimento é expresso diretamente na ação, Eurípides concede a suas personagens o direito de hesitar, de duvidar. Descortina toda a extensão dos instintos e paixões, das intrigas e conspirações. Sua minuciosa exploração dos pontos fracos na tradição mitológica lhe valeu agudas críticas de seus contemporâneos. Acusaram-no de ateísmo e da perversão sofista dos conceitos morais e éticos.

De suas setenta e oito tragédias, das quais restam dezessete e uma sátira, apenas quatro lhe valeram um prêmio enquanto estava vivo.


Referência:

BERTHOLD. Margot. História mundial do teatro. São Paulo: Perspectiva, 2004.

ruínas do teatro grego de Epidauro

Oresteia

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